TRANSPORTE CARO Safra da soja faz preço do frete disparar Custo já subiu até R$ 13 a tonelada na região oeste, o que alarmou as cooperativas que dependem de transportadoras PÁTIO CHEIOExpectativa é de que cerca de cinco mil caminhões estarão envolvidos com o transporte da safra de soja no Paraná, que este ano está atrasada Vânia Casado De Curitiba Com o início da colheita de soja, o custo do frete no Oeste do Paraná subiu entre R$ 12,00 e R$ 13,00 a tonelada, desde a última quinta-feira. Só na sexta-feira, o aumento foi de R$ 10,00, o que alarmou as cooperativas que dependem de transportadoras para levar a soja para Paranaguá. Em Palotina, a Coopervale estava pagando ontem R$ 37,00 a tonelada, valor já descontado o ICMS. No início da semana passada, o frete estava cotado em R$ 23,30 a tonelada para a cooperativa e R$ 26,50 para a transportadora. A alta no custo do frete está sendo provocada pelo aumento da disputa por caminhões para transportar a soja. Segundo Edvaldo Antonio Radigonda, gerente do departamento de Operações e Mercados da Coopervale, a disputa está tão acirrada que tem caminhão saindo da porta da cooperativa por R$ 1,00 ou R$ 2,00 ofertados a mais, por tonelada. A Coopervale havia se preparado para trabalhar com um preço máximo de US$ 20 a tonelada, no pico da safra. Agora a safra está apenas no início e já superou essa previsão, e o custo do frete está oscilando entre US$ 21 e US$ 22/t. No ano passado, o preço máximo para o transporte da soja durante o pico da safra foi de R$ 38,00 a tonelada. Ocorre que o atraso na colheita da soja, esse ano, está coincidindo com a entrada em operação da safra do Centro-Oeste, e os caminhões estão concentrados naquela região. O Sindicato das Transportadoras do Oeste do Paraná calcula que cerca de 5.000 caminhões estarão envolvidos com o transporte da safra no Paraná. ‘‘Com a demanda alta nas duas regiões (Oeste e Centro-Oeste), simultâneamente, o número de veículos circulando por aqui não é suficiente para atender a oferta de produção’’, justificou Radigonda. Já a Cooperativa Agropecuária de Cascavel (Coopavel) não está sentindo os efeitos das oscilações no custo do frete. A cooperativa optou por manter frota própria, com 200 caminhões, o que proporciona um resultado mais equilibrado na comercialização. Segundo o presidente, Dilvo Grolli, o lucro com o transporte fica para a cooperativa e aparece nas contas dos cooperados posteriormente. A Coopavel pretende transportar 30 mil toneladas entre farelo e óleo de soja para serem exportados via Paranaguá, esse ano. Para as transportadoras, a situação não parece ser tão confortável. O presidente do Sindicato das Transportadoras do Oeste do Paraná, Ademir Alberto Fuhrmann, diz que a alta no custo do frete ocorrida no final da semana passada não foi suficiente para cobrir a elevação no preço dos insumos, nos últimos dois anos. ‘‘ Só o combustivel subiu 58% no período, enquanto o custo do frete permaneceu no mesmo nível’’, lamentou. Segundo Fuhrmann, no trecho Cascavel-Paranaguá o frete subiu de R$ 18,00 para R$ 30,00 a tonelada, o mesmo valor praticado na safra passada. Para o o Sindicato, esse valor está longe dos R$ 45,00 a tonelada, cifra que cobriria o custo dos insumos e permitiria alguma expectativa de lucro. Fuhrmann não acredita que o valor do frete vá subir a esse patamar e ainda ressalta que a reação no custo do frete vai persistir no máximo entre 30 a 45 dias, enquanto tiver safra a ser escoada. ‘‘ Depois disso, o frete volta a ficar com um valor absurdamente baixo’’, queixou-se. Isso porque fora do setor agrícola, não tem demanda para o transporte no Paraná. Para o Sindicato das Transportadoras do Oeste do Estado, além do valor aviltado, o frete rodoviário está sofrendo a concorrência da Ferrovia, que deverá tirar uma fatia maior no transporte esse ano. A consequência dessa situação será uma ‘‘ debandada de empresas transportadoras’’. Segundo Fuhrmann, há três anos haviam 700 empresas transportadoras atuando no Estado e hoje não passam de 500. Das 200 empresas que sumiram, 95% quebraram e 5% migraram para o Centro-Oeste. ‘‘Esse será o destino de mais umas centenas de empresas depois da safra’’, previu.

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