Safra dá novo fôlego à economia do PR
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sábado, 06 de março de 1999
Pedro Livoratti 
A expectativa de um crescimento superior a 9% na safra de verão deste ano, segundo estimativa do governo federal, e a possibilidade de remuneração maior aos produtores em função da valorização do dólar estão gerando grande otimismo no comércio e indústria das regiões agrícolas do Paraná. Em meio às incertezas causadas pela instabilidade no câmbio, desemprego e recessão, o aumento da remuneração da safra vai propiciar uma bolha de consumo, beneficiando vários setores da economia a partir dos próximos meses.
No Paraná, segundo informações da Secretaria Estadual de Agricultura, a safra que está sendo colhida praticamente se mantém em relação à passada, mas a boa produção dos grãos cotados em dólar (café e soja), acabam resultando numa rentabilidade 12,27% maior em relação à safra passada. De acordo com informações do Departamento de Economia Rural (Deral), da própria secretaria, a safra deste ano deverá ser 0,68% menor que a do ano passado por causa da estiagem registrada no Paraná no final do ano passado.
Apesar da grande turbulência, certamente os municípios agrícolas sentirão beneficíos imediatos, afirma o economista de Londrina, Ismael Mologni, que estuda o mercado agrícola há mais de 20 anos. Pelos cálculos do economista, o setor terá, considerando a produção nacional, um superávit de aproximadamente US$ 15 bilhões nesta safra, contra US$ 10,6 bilhões registrados na colheita anterior. Soma-se a esta expansão real a elevação das cotações do dólar, que significa vantagem para produto que é direcionado ao mercado externo, como a soja e o café.
Para Mologni, o lucro da safra será injetado no varejo em geral, beneficiando o mercado imobiliário, automotivo, se extendendo também às áreas ligadas ao setor agrícola como caminhões, máquinas, implementos e acessórios O presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Valter Orsi, afirma o varejo sentiu de perto a retração sofrida pela agricultura nos últimos anos. E é com otimismo que ele afirma que lojistas e industriais estão aguardando os resultados desta colheita de grãos. Orsi acredita que o impacto mais representativo deverá ocorrer a partir do segundo semestre do ano, quando os agricultores deverão comercializar o grosso da safra.
A injeção imediata dos recursos da safra é para pagar os financiamentos e para cobrir os custos de produção, afirma o presidente da Acil. Segundo ele, a tendência será do agricultor segurar um pouco mais o produto na tentativa de conseguir um preço melhor, o que deve acontecer no início do segundo semestre. A partir daí todos os segmentos da indústria e comércio vão sentir os reflexos positivos desta safra. Ainda segundo Orsi, além do aumento da colheita de grãos, é preciso considerar que o agricultor terminará a colheita melhor capitalizado por causa da mudança cambial. Para ele, este fator também será um diferencial.
O presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina, Jurandir Luciano, lembra que Londrina se desenvolveu a partir de lavouras de café e que o impacto de uma boa safra sempre repercute positivamente. Ele também espera aquecimento em seu setor a partir do segundo semestre, com a comercialização da colheita. Nosso mercado sempre reage na época da safra agrícola, afirmou.


