Safra começa superando o mínimo
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quarta-feira, 27 de agosto de 1997
Agência Folha São Paulo 
Com 5% da área já colhida, o trigo paranaense começa a ser comercializado ao preço de R$ 170 por tonelada, acima do preço mínimo do governo federal (R$ 157). A Ocepar, (Organização das Cooperativas do Paraná) está otimista com relação a preços nesta safra. Segundo Nelson Costa, gerente-técnico da Ocepar, o diferencial deste ano, em relação às últimas safras, é que o trigo brasileiro está apresentando boa qualidade, enquanto nossa maior concorrente, a Argentina, só terá trigo bom a partir de dezembro.
O Paraná tem 900 mil hectares plantados em trigo e uma previsão de colheita, até setembro, da ordem de 1,6 milhão de toneladas. O Brasil plantou 1,5 milhão de hectares nesta safra e espera colher 2,8 milhões de toneladas do cereal.
Apesar da pressão baixista dos moageiros, já sentida pelo setor cooperativista, a realidade do trigo nesta safra será diferente. Os produtores contam com a garantia do governo federal de acionar o PEP (Programa de Escoamento de Produção) assim que os preços recuem para aos patamares do mínimo.
Com o PEP o produtor tem a garantia de não vender trigo abaixo do mínimo, com o governo federal organizando leilões de compra a partir do mínimo. Outro fator que age a favor dos produtores é o preço do trigo canadense e o preço e a qualidade do trigo argentino na época de maior fluxo nas comercializações, nos meses de setembro e outubro. Enquanto o trigo brasileiro (com boa qualidade) está chegando aos moinhos ao preço de R$ 190 a tonelada, o trigo canadense custa R$ 210 (preço/moinho) e o argentino (com qualidade inferior) está em R$ 200. Nelson Costa afirmou que as pressões para uma sobretaxa do trigo importado (hoje a taxa de importação é 10%) não afetaria o setor. O principal concorrente, que é o trigo argentino, não paga a taxa, em razão do Mercosul, disse.


