Milton Dória‘‘Dados confiáveis’’Monteiro fala para exportadores, industriais e produtores: ‘previsão razoável’ A atual safra brasileira de café será de 31.170.000 de sacas e não de 35 milhões, como previu a Federação dos Exportadores, ou 33 milhões, anunciados recentemente pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os números - ‘‘absolutamente confiáveis’’ - foram anunciados ontem, em Londrina, pelo diretor do Departamento Nacional do Café, José Luiz Melo Monteiro. Os estoques em poder do governo somam 10,5 milhões e a produção do Paraná deve se aproximar dos 2,5 milhões de sacas.
Embora não quisesse comentar os dados do USDA e Febec, Monteiro foi incisivo ao afirmar que os dados do governo resultam de um levantamento técnico e não podem ser colocados em dúvida por setores que têm interesse em exercer influência sobre o mercado. Para fazer seu prognóstico o governo envolve o trabalho de campo de 350 agrônomos, observou. O levantamento é feito em convênio com a Embrapa.
O diretor do DNAC falou ontem durante o ‘‘Encontro Técnico de Comercialização de Café Qualidade Paranᒒ, na Casa do Cafeicultor, Parque Ney Braga. No mesmo evento, o Banco do Brasil e o Centro do Comércio de Café do Norte do Paraná firmaram convênio pelo qual o CCCNP vai emitir os laudos técnicos dos lotes negociados através de Cédulas de Produto Rural (CPR). O convênio foi assinado pelo superintendente do BB, Altino Ramos, e pelo presidente do CCCNP, Luiz Roberto Ferrari.
O evento, aberto pelo secretário da Agricultura do Paraná, Antônio Leonel Poloni, reuniu as todos os segmentos da cafeicultura do produtor ao industrial e exportador: Abic, Abics, Câmara Setorial do Café, Bolsa de Mercadorias, cooperativas, Departamento Nacional do Café, Seab e Ministério da Indústria e Comércio. Organizado pela Emater e Iapar, o encontro contou com a presença de exportadores de Café, industriais da torrefação de vários Estados, comerciantes e produtores que debateram mecanismos de mercado e qualidade do café.
Certificado A emissão de certificado pelo CCCNP beneficia os produtores paranaenses que, desta forma terão mais acesso à comercialização antecipada, via Cédula de Produto Rural (CPR). No ano passado, as análises de qualidade feitas pela Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) foram um dos obstáculos às operações em CPR. O café paranaense ‘‘foi barrado’’, nas análises da BM&F, segundo depoimento de comerciantes e produtores locais. Não se trata de qualidade - garantem - mas porque os critérios são outros e porque a BM&F ‘‘está habituada’’ a outros tipos de café, de São Paulo e Minas Gerais. Segundo o produtor Luiz Henrique Ferroni, embora os cafés de sua propriedade estivessem dentro dos parâmetros - tipo 6, bebida dura e número de defeitos - quase a metade era rejeitada pela análise da BM&F.

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