Safra americana fica em 75 milhões de t
Guto Rocha
De Londrina
O relatório do USDA divulgado ontem reduziu em quase 5 milhões de toneladas a previsão da safra americana de soja. O primeiro relatório, apresentado no mês de julho apontava para uma produção de 80 milhões, contra os 75,6 milhões de t anunciados ontem. Segundo o economista da Safras & Mercados, Flávio França Júnior, a recuperação dos preços ainda não é suficiente para ajudar o produtor brasileiro a se decidir pelo plantio ou não nesta safra. O relatório traz um sentimento de melhora de preços, mas ainda é cedo para afirmar se os produtores vão optar pela soja, comentou.
França disse que o quadro está melhor, no entanto não houve um explosão dos preços porque a safra americana, mesmo com a quebra, ainda é cheia. A previsão do USDA ainda apontou para uma produção maior do que a do ano passado, que foi recorde com a colheita de 75 milhões de t de soja.
Com a divulgação do relatório, os contratos da soja para setembro fecharam cotados a 512 centavos de dólar/bushel (27,215 kg), com alta de 10 pontos, e os de maio ficaram em 535,25 centavos/bushel, com alta de 6,5 pontos. Os preços melhoraram mas continuam abaixo da média histórica da Bolsa de Chicago que é de 640 cents/bushel.
O consultor da Safras & Mercados afirmou que alguns fatores podem dificultar a decisão do produtor na hora de optar entre soja e milho. Segundo ele, existe uma dificuldade para o agricultor captar crédito junto aos fornecedores e os custos de produção sofreram alta de mais de 40% desde janeiro. Mas com este novo quadro em Chicago, a previsão feita por nós em julho de que a área de soja no Paraná recue 5% nesta safra pode não se confirmar, comentou.
Para o gerente de comercialização da Valcoop, Hermelino Nogueira, a produção dos EUA pode ficar menor do que o apontado pelo relatório do USDA. Segundo ele, os dados tabulados são referentes ao mês de agosto, e o problema climático que provocou a quebra na produção foi mais intenso no final de agosto e início de setembro. Já tem analistas dizendo que a produção americana será menor do que o estimado pelo USDA, comentou.
Mas quanto à decisão que o produtor terá de tomar sobre plantar milho ou soja nesta safra, Nogueira aconselha que uma análise dos custos de produção e o que o mercado dos dois produtos aponta em termos de preço. O gerente da Valcoop observa que o milho é uma cultura produtiva, e que os preços do grão devem melhorar sensivelmente por causa da pequena oferta.





