SAFRA AGRÍCOLA - Quebra reduz previsão de superávit
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quinta-feira, 29 de abril de 2004
Fabíola Salvador<br>Agência Estado 
Brasília - O saldo da balança comercial do agronegócio será recorde em 2004, mas a expectativa é de superávit inferior ao previsto inicialmente, em razão da quebra na safra agrícola. A avaliação foi feita ontem pelo chefe do Departamento de Comércio Exterior da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antonio Donizeti Beraldo.
O governo estimou produção de 120 milhões de toneladas de grãos na safra 2003/04, contra a previsão de colheita de 130,8 milhões de toneladas feita em fevereiro. Segundo Beraldo, as exportações agrícolas devem somar US$ 34 bilhões em 2004, um incremento de 10% em relação aos US$ 30,6 bilhões de 2003. A previsão inicial para 2004 era de exportações de US$ 35 bilhões.
Os cálculos da CNA indicam que não houve mudanças na expectativa de importação, calculadas em US$ 5 bilhões. Considerando exportações de US$ 34 bilhões, o saldo comercial deve ser de US$ 29 bilhões, 12% acima dos US$ 25,8 bilhões de 2003. Sem a quebra da safra, o superávit chegaria a US$ 31 bilhões. A previsão foi feita com base no resultado no primeiro trimestre do ano.
As exportações acumuladas do agronegócio somaram US$ 7,838 bilhões, 36,5% acima do resultado de US$ 5,741 bilhões nos três primeiros meses de 2003. Além da soja, as exportações de carne influenciarão de forma positiva os resultados em 2004. Em valores, as exportações totais de carnes cresceram 43,4%, para US$ 1,247 bilhão, no primeiro trimestre. As vendas do complexo soja devem render US$ 11 bilhões, abaixo das previsões iniciais de US$ 12 bilhões, estimou Beraldo.
No ano passado, as exportações do complexo soja renderam US$ 8,1 bilhões. Se confirmada a previsão de US$ 11 bilhões, o crescimento será de 36%. Beraldo lembrou que, puxado pela forte demanda da China, o consumo mundial de soja em 2004 deve ser de 172 milhões de toneladas, contra 165 milhões no ano passado.
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio deve totalizar R$ 537,7 bilhões, com crescimento de 5,80% em relação aos R$ 508,2 bilhões de 2003. A CNA e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), no entanto, alertaram que o crescimento do PIB do agronegócio será menor do que o do ano passado. Em 2003, o PIB do setor cresceu 6,54%.
Em 2002, o PIB foi de R$ 477 bilhões. Há expectativa de crescimento da renda, embora em nível inferior ao de 2003 por causa da queda de preços de alguns produtos agrícolas e da redução na expectativa de safra, afirmou o chefe do Departamento Econômico da CNA, Getúlio Pernambuco.


