O plantio da safra 98/99 no Paraná terá como destaque a recuperação da produção de milho e feijão, cujos estoques estão em baixa e por isso provocaram alta nos preços. Em compensação a queda no algodão deverá alcançar 42% sobre a área do ano passado, revelando o desestímulo do produtor com a cultura.
Segundo estimativa da Secretaria da Agricultura, a safra de grãos, que começa a ser plantada em agosto, poderá ser atingir 13.735.750 toneladas, 2,3% sobre 97/98 (13.420.200 t). Esse aumento será motivado pela elevação da área plantada com milho, cuja produtividade é maior em comparação com a soja.
Milho Conforme a primeira estimativa feita pelo Deral, a área plantada com milho cresce 6,11%, de 1.457.000 ha, no ano passado, para 1.546.000 ha na safra 98/99. O aumento do milho deve-se à queda nos preços da soja, que na safra 97/98 ficaram abaixo da expectativa. Além disso, os preços do milho, este ano, estiveram acima dos preços da safra 96/97, que permitiram melhor rentabilidade. Os produtores estão apostando na cultura diante da estabilidade de preços parevista para a próxima safra, disse o técnico Altair Araldi.
Com a elevação do plantio do milho, cai a área da soja, o contrário do que ocorreu no ano passado. Esse ano a redução de área deverá ser de 1,58%, caindo de 2.820.000 ha da safra anterior, para 2.775.500. Contribuiram para essa decisão as baixas cotações da soja na safra 97/98, o aumento nos preços internos do milho e aumento da oferta de soja da última safra, que deverá reduzir os preços durante a entressafra ente setembro e dezembro. Além disso, no cenário mundial a oferta de soja é promissora em função da supersafra que deverá ser colhida nos EUA, e os analistas antecipam que não haverá muito espaço para aumento de preço do grão, avaliou o técnico do Deral Otmar Hubner.
O plantio de feijão deverá ter um incremento de 9% em relação à safra passada, quando foram cultivados 460 mil hectares, anunciou a técnica Margorete Demarchi. O plantio 98/99 deverá atingir 503 mil ha. Fator de estímulo: preços dos últimos três meses, quando a média de preço para o feijão carioca ficou em R$ 77,14 a saca, mais que o dobro do preço histórico dos últimos 10 anos (US$ 30,95). O feijão preto atingiu a média de R$ 64,45 a saca, o dobro da média histórica (US$ 30,01).
Milho e feijão vão ocupar espaços deixados pelo algodão, que coupará no máximo 67.000 ha (-42%). No ano passado o algodão ocupou 116.100 ha. Os produtores enfrentaram nessa safra os mesmos problemas das safras anteriores como a influência do clima e a concorrência com as importações no período de colheita, informou o técnico Maurício Lunardon.ArquivoPerto do fimÁrea de algodão no Paraná recua 42% nesta safra de verão. É a maior quebraVânia Casado

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