''Nesta safra não há espaço para amadores'', afirmou o chefe de pesquisa da Embrapa Soja, João Flávio Veloso, coordenador da 1 Reunião do Consórcio Anti-Ferrugem, que termina hoje em Londrina. De acordo com ele, o alto custo e a lucratividade baixa criaram um cenário muito arriscado para qualquer produtor, especialmente, para aqueles que estão mais distantes dos grandes centros. ''A oferta excessiva do produto no mercado internacional derrubou o preço da saca e, por isso, quanto menor o gasto menor a chance de prejuízo'', explicou.
O aparecimento da ferrugem pode diminuir ainda mais o lucro do sojicultor que gastará entre US$ 30 e US$ 40 para uma aplicação de fungicida por hectare. A ferrugem simboliza a presença de um fungo que ataca as folhas rasteiras da soja em clima de alta umidade e temperatura amena. A redução de área para fotossíntese folicular diminui o número de vagens e também o tamanho dos grãos diminuindo a produção e a rentabilidade. Segundo André Felipe Peralta, fiscal federal agropecuário da Divisão de Proteção de Plantas, os primeiros sinais da ferrugem no Brasil apareceram durante a safra 2002/2003 graças à proximidade com o Paraguai. A perda em algumas lavouras chegou a 80%. ''O susto foi tão grande que na safra seguinte o prejuízo atingiu, no máximo, 30% da produção'', lembrou o fiscal.
Na opinião dos especialistas, a principal arma contra essa doença é o monitoramento constante. A confirmação ou não depende de análise laboratorial e, em caso afirmativo, o único remédio é o fungicida. De acordo com Peralta, o Brasil gastou US$ 750 milhões em defensivos agrícolas contra a ferrugem na última safra. ''A maioria dos produtores está preparada psicologicamente para fazer três aplicações''.
Para diminuir a incidência da ferrugem no Brasil, o governo federal está elaborando uma resolução para disciplinar o plantio da soja na entressafra que servirá como semente. Devido ao alto custo com a irrigação e defensivos, apenas os produtores mais tecnificados plantam a soja de inverno que é mais rentável em função do uso. ''Nossa intenção é criar um cadastro estadual desses produtores para que possamos fiscalizar melhor o controle da ferrugem. Provavelmente, essa resolução já estará em vigor na entressafra de 2005'', adiantou Peralta.
O objetivo do encontro é uniformizar as informações entre os agentes de transferência que capacitarão, individualmente, 40 técnicos que, por sua vez, auxiliarão 50 produtores líderes que influenciarão outros 50 sojicultores. Em Londrina, compareceram 60 especialistas de instituições públicas e privadas de todos os Estados produtores. Entre eles, estava também Marcos Francisco Caleiro dos Santos, gerente técnico e de regulamentação da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef). Segundo ele, o interesse das indústrias é orientar os produtores a aplicar o fungicida em quantidade e tempo exatos para evitar desperdício.

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