ConfianteMuniz: Antecipar para este ano a construção de um novo túnel de congelamento previsto para julho de 98 As duas principais indústrias avícolas do país, Sadia e Perdigão, adotaram posições diversas diante do pacote fiscal do governo anunciado esta semana. Enquanto a Perdigão fala em manter seus planos, apostando na temporariedade das dificuldades econômicas, a Sadia prefere aguardar a reação do mercado para definir suas metas.
Segundo o Diretor de Relações Institucionais da Perdigão, Ricardo Menezes, a empresa já decidiu manter seus planos até 2003, que prevêem investimentos de US$ 330 milhões. A Perdigão está construindo um complexo agroindustrial em Rio Verde (GO) e uma nova unidade industrial em Marau (RS).
‘‘Todas as vezes que passamos por situações econômicas semelhantes a atual, o consumidor prioriza o pagamento de suas dívidas e o que sobra é destinado à alimentação’’, afirma.
Para este final de ano, a Perdigão manteve a mesma produção de aves especiais do ano passado. ‘‘O consumidor não abre mão da Ceia farta’’, diz Menezes. Segundo ele, a produção de chester ficou em 4,8 milhões de unidades e a de tender em 500 toneladas. ‘‘Os pedidos feitos até hoje (ontem) pelos supermercados já são bem superiores em relação ao ano passado’’, afirma.
A Perdigão, segundo Menezes, deve fechar o ano com um faturamento de US$ 1,2 bilhão. Deste total, US$ 300 milhões (25%) são resultantes das exportações. Menezes diz que o pacote fiscal do governo não deve refletir tanto nas exportações do setor. ‘‘A avicultura já contava com uma linha de crédito do BNDES para exportação com juros menores’’, comentou. Mas a empresa já trabalha na ampliação do mercado importador, objetivando principalmente maior participação no mercado russo. ‘‘A Rússia é nossa prioridade’’, diz.
O diretor-presidente da Sadia, Walter Fontana Filho, diz que a empresa reduziu sua expectativa de crescimento para 1998 de 12% para 5%. Fontana diz que as medidas incentivam a poupança, e não há perspectivas de salários mais altos.
A produção de aves especiais da Sadia para as festas de final de ano também ficou estável em relação a 1996. Segundo o Diretor de Venda de Produtos Industrializados, José Mayr Bonassi, a produção de peru ficou entre 18 mil e 19 mil toneladas. A produção do Fiesta, frango especial, também ficou inalterada em relação a 1996. Além de manter a produção, a Sadia também congelou os preços em reais das aves. No caso do peru, os preços ao consumidor devem ficar entre R$ 3,50 e R$ 3,70/kg.
Comaves A Comaves, de Londrina, também não alterou sua estratégia de crescimento em função do pacote fiscal. Para o presidente da Comaves, Paulo Ferreira Muniz, o pacote vai privilegiar as empresas que exportam. ‘‘Temos planos de ampliação que estão em prática há dois anos e eles vão continuar’’, afirma o empresário.
Muniz diz que amanhã começa a funcionar o mais novo túnel de congelamento da Comaves. ‘‘Com este novo túnel teremos condições de disponibilizar mais 900 toneladas de frango/mês para exportação’’, conta. E, confirmando a confiança no pacote, o empresário afirma que está antecipando ainda para este ano a construção de outro túnel, que estava previsto para ser iniciado em julho de 1998.
Quanto às festas de final de ano, as expectativas também são boas. Segundo Muniz, a produção do frango especial ‘‘Maestro’’ teve um crescimento de 50% em relação ao ano passado. Além de aumentar a produção, a Comaves está lançando agora um novo produto, aproveitando o final de ano: é o frango temperado. Serão produzidos 300 toneladas por mês. ‘‘Este produto está sendo lançado agora, mas estará no mercado durante todo o ano’’, comenta.

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