O sacrifício sanitário do rebanho da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), começou no final da tarde de ontem. Inicialmente, seriam mortos os dez bovinos que serão submetidos à necropsia. O abate do restante dos animais, deverá ser realizado durante a manhã de hoje. Ao todo, serão mortos 1.805 animais, 10 a mais do que o número avaliado pela Comissão de Avaliação, Taxação e Sacrifício.
A questão judicial, mais uma vez, foi a responsável pelo atraso do sacrifício. A Justiça Federal de Londrina determinou a realização da necropsia, o que foi contestado pela União, através da Advocacia Geral da União (AGU). A AGU juntou petição ao processo indicando a médica veterinária Rossana Allende, do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), e o veterinário Oscar Hummig Neto, do Ministério da Agricultura (Mapa), para acompanharem os procedimentos apenas como colaboradores.
Nesse caso, Hummig Neto não poderá emitir nenhum parecer técnico e nem atuar como perito. Procurado pela reportagem, o superintendente do Mapa no Paraná, Walmir Kowalewski de Souza, informou que o veterinário iria acompanhar a comissão de necropsia e poderia assinar o documento que vai indicar a sua participação. Hummig Neto e Rossana Allende acompanharam os exames realizados nas outras quatro fazendas onde os sacrifícios já ocorreram: Cesumar e Pedra Preta (Cesumar), Flor do Café (Bela Vista do Paraíso) e Santa Izabel (Grandes Rios).
Necropsia - Os animais mortos para necropsia não serão sacrificados pelo sistema do ''rifle sanitário''. O abate será semelhante aos procedimentos realizados em frigoríficos. O rifle será utilizado para o restante dos bovinos mas, desta vez, não serão aplicadas doses de tranquilizantes. Segundo o chefe do núcleo da Seab de Cornélio Procópio, Carlos Roberto Moreira, foi montada uma ''sala de abate'', onde dez animais serão abatidos por vez. Oito atiradores da Polícia Militar deverão participar da ação. A previsão é que os trabalhos sejam encerrados no sábado.
As duas valas já estão prontas para receber os animais. A Fazenda Cachoeira é considerada foco de febre aftosa desde o dia 6 de dezembro. A confirmação do foco foi baseada em exames sorológicos, uma vez que 23 animais apresentaram reação positiva; e na vinculação epidemiológica porque cerca de 200 animais foram trazidos do Mato Grosso do Sul (onde surgiram os primeiros focos da doença).

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