Sacrifício em fazenda está indefinido
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segunda-feira, 13 de março de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O sacrifício sanitário dos 1.795 bovinos da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), ainda permanece indefinido. Enquanto a Secretaria do Estado de Agricultura e do Abastecimento (Seab) anunciou que a necropsia em dez animais da propriedade começaria hoje à tarde, a Superintendência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em Curitiba, informou que os trabalhos estão suspensos devido à ação que tramita na Justiça Federal de Londrina.
A fazenda é considerada foco de febre aftosa desde o dia 6 de dezembro. A doença foi confirmada na propriedade com base na vinculação epidemiológica, uma vez que cerca de 200 animais foram trazidos do Mato Grosso do Sul (onde foram registrados os primeiros focos), e na sorologia positiva de 23 animais no exame EITB (que analisa as proteínas não estruturais do vírus). Desde o dia 11 de janeiro, o pecuarista André Muller Carioba trava uma verdadeira batalha jurídica com a União para provar que o seu rebanho não está infectado com o vírus da aftosa.
Até o início da noite de ontem, o departamento jurídico do Mapa ainda estava analisando a decisão da Justiça Federal que determina a realização de necropsia em dez animais da propriedade. A superintendência do Mapa, em Curitiba, aguarda para hoje de manhã uma resposta. ''O sacrifício na Cachoeira não deverá ocorrer enquanto não tivermos uma definição jurídica. Já tivemos um entendimento político (favorável à realização da necropsia), mas a área jurídica do ministério está analisando a questão'', informou Walmir Kowaleswki de Souza, superintendente do Mapa.
Kowaleswki lembrou que a Seab fez um acordo com os pecuaristas, proprietários das outras seis fazendas consideradas focos de aftosa, para realização da necropsia em parte do rebanho. Inclusive, a coleta dos materiais está sendo observada pela técnica Rossana Allende, do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa). Os exames serão realizados nos laboratórios do Panaftosa, órgão internacional que é considerado ''território neutro'' pelos pecuaristas. A realização dos exames foi uma exigência para autorizar os abates sem a adoção de medidas judiciais.
Comissão - Segundo o núcleo da Seab de Cornélio Procópio, membros das duas comissões - de Avaliação, Taxação e Sacrifício e de Necropsia - chegam hoje às 12 horas à Fazenda Cachoeira. Durante à tarde, seriam abatidos dez animais para a realização da necropsia e, somente depois desse procedimento, é que o restante dos animais seriam sacrificados. No entanto, como os representantes do Mapa não deverão estar presentes, é provável que o proprietário não autorize o início dos trabalhos.


