O sacrifício sanitário dos 1.795 bovinos da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), deverá ter início somente na terça-feira. A Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) anunciou na sexta-feira que o abate teria início amanhã, data que não foi confirmada porque a manta texturizada (exigência da Secretaria de Estado do Meio Ambiente para forrar as valas) ainda não foi entregue. A entrega deste material teria ficado para amanhã.
Segundo o chefe do núcleo da Seab de Cornélio Procópio, Roberto Moreira, a primeira vala seria finalizada ontem e, em seguida, os técnicos já começariam a trabalhar na construção da segunda cavidade. ''Assim que a manta for entregue, iremos colocá-la sobre a vala e o IAP (Instituto Ambiental do Paraná) terá que autorizar novamente. Depois disso, o sacrifício começará imediatamente'', explicou. A estimativa é que o abate de todo o rebanho da propriedade demore de quatro a seis dias.
A manta texturizada é necessária para evitar a contaminação do lençol freático da fazenda. Ainda sobre a manta será feito um piso com 80 centímetros de terra para evitar que os cascos dos animais perfurem o material. Ontem à tarde, Moreira procuraria o comando da Polícia Militar para definir os atiradores que devem participar do sacrifício. Hoje à tarde, inclusive, poderá ser realizada uma reunião em Londrina para discutir o assunto.
Procurado pela reportagem, o proprietário da Fazenda Cachoeira, André Carioba Filho, disse que espera uma solução rápida para o sacrifício. ''A Seab já poderia ter resolvido esse assunto em dezembro. Quero encerrar isso logo'', comentou. A Fazenda Cachoeira é considerada foco de febre aftosa desde o dia 6 de dezembro.
Cesumar - Informações extra-oficiais, no entanto, dão conta de que a Seab iniciaria o sacrifício sanitário por Maringá (Região Noroeste), nas fazendas Cesumar e Pedra Preta. O trabalho seria antecipado nestas propriedades porque o Parque de Exposições Francisco Feio Ribeiro está localizado no raio perifocal, de 10 quilômetros. A intenção do governo estadual é liberar a área rapidamente para minimizar eventuais prejuízos à exposição agropecuária do município, marcada para maio.
No entanto, segundo o coordenador do curso de Veterinária da Fazenda Cesumar, Raimundo Tostes, doutor em Patologia Animal, o sacrifício nas propriedades não será autorizado enquanto o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) não se manifestar formalmente sobre a necropsia no rebanho. Esse exame é a condição imposta pelos pecuaristas para aceitar o abate sem processos judiciais. Segundo o superintendente do Mapa no Paraná, Walmir Kowaleswki de Souza, essa resposta deverá vir amanhã.
Segundo ele, o ministro Roberto Rodrigues já teria autorizado informalmente a realização das necropsias durante sua visita ao Estado, na quarta-feira passada. ''O processo logístico está adiantado mas, para variar, o ministério (Mapa) continua atrasando tudo. Queremos celeridade, mas estamos agindo com cautela'', salientou Tostes. Além de autorizar a necropsia, o Mapa ainda tem que nomear um veterinário para acompanhar os trabalhos de coleta e transporte dos materiais até o laboratório do Centro Pan-americano de Febre Aftosa (Panaftosa), localizado no Rio de Janeiro, instituição considerada neutra pelos pecuaristas para realizar os exames.
Farão parte da comissão representantes da Seab e do Mapa e dois veterinários indicados pelos pecuaristas: Tostes e o virologista Amauri Alfieri. ''O ministério sequer pediu autorização ao Panaftosa e ainda não nomeou um colega veterinário. Faltam definir esses procedimentos técnicos e, por isso, acho quase impossível que o sacrifício já comece na segunda-feira (amanhã)'', argumentou.

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