O sacrifício sanitário do rebanho com febre aftosa deve começar amanhã no Paraná. Os abates serão iniciados pelas fazendas Cesumar e Pedra Preta, em Maringá (Região Noroeste). Na quinta-feira, o trabalho será realizado na Fazenda Flor do Café, em Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina). Na Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), os sacrifícios podem começar também amanhã. Ao todo, cerca de 6 mil animais deverão ser abatidos.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), os sacrifícios começarão por Maringá porque os preparativos estão mais adiantados. Como as duas propriedades são vizinhas foi feita apenas uma vala, na Cesumar, para abrigar os 377 bovinos. Os animais serão mortos pelo ''rifle sanitário'' na própria mangueira e depois serão transportados até a cavidade. As vias que dão acesso à fazenda foram muito danificadas pelas chuvas dos últimos dias e, por isso, algumas melhorias serão feitas hoje.
A intenção da Seab é liberar primeiramente o município de Maringá para não atrapalhar a realização da Expoingá, marcada para maio. O Parque de Exposições Francisco Feio Ribeiro está localizado na área perifocal das fazendas (dentro do raio de 10 quilômetros). Os últimos sacrifícios devem ser realizados nas fazendas de Loanda (102 km a oeste de Paranavaí): Alto Alegre e São Paulo. Nas duas propriedades há a exigência da manta texturizada - uma exigência do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) - para forrar a vala, o que irá atrasar os trabalhos. Segundo estimativas, todo o trâmite de compra desse material por parte da Seab demora, no mínimo, dez dias.
Já no caso da Fazenda Cachoeira, a manta texturizada chegaria apenas ontem à noite. Hoje de manhã, técnicos do núcleo local iniciariam os trabalhos para colocá-la sobre a vala. Sobre o material ainda terá que ser feito um piso de 80 centímetros de terra e técnicos do IAP têm que conceder outra licença. Todo esse procedimento evitaria que o lençol freático da propriedade seja contaminado. Apesar de todo esse trâmite, a expectativa é que os sacrifícios também comecem amanhã.
Necropsia - Informalmente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) já concordou com a realização de necropsia no rebanho paranaense. Segundo o superintendente do órgão no Estado, Walmir Kowaleswki de Souza, ontem faltava apenas a autorização do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), no Rio de Janeiro, para realização dos exames no laboratório. Os exames foram impostos pelos pecuaristas para aceitar o sacrifício sem ações judiciais. Se não vier a autorização hoje por parte do Mapa é provável que os pecuaristas tentem impedir o sacrifício.
Já o governo do Estado autorizou a realização de necropsias e coleta de material de animais que serão sacrificados nas sete propriedades reconhecidas como focos de febre aftosa. Conforme a resolução 22/2006 o material coletado deverá ser encaminhado ao laboratório do Panaftosa. As necropsias, a coleta e o envio dos materiais deverão ser realizados pelos técnicos do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis) da Seab, com o acompanhamento de um técnico indicado pelo Ministério e dois indicados pelos proprietários dos animais: veterinários Raimundo Tostes, do Cesumar; e Amauri Alfieri, da UEL.

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