Boutiques ''chiques'', instaladas fora de shoppings e em bairros nobres de Londrina, adotam uma velha estratégia de venda para aumentar o faturamento. É o esquema de sacolas, responsável por pelo menos 30% do faturamento de algumas lojas.
O esquema funciona da seguinte forma: as donas da loja selecionam peças de roupas e acessórios que elas acham que têm a ''cara e o jeito'' da cliente e mandam para a casa dela. Lá, com tranquilidade, a cliente vai provar as peças calmamente, mostrar para o marido, filhos, experimentar com outros acessórios.''É uma forma de facilitar a vida da cliente que não tem tempo de vir aqui e também de efetuarmos boas vendas'', salienta Andrea Guimarães Costa, proprietária da Blood, localizada na Rua Belo Horizonte (área central).
Normalmente as lojas deixam a sacola de um dia para o outro ou até mais para a cliente ter mais tempo de ver as roupas. A maioria das lojistas entrevistadas garante que o esquema está dando ''supercerto''. Andrea diz que quando a Blood estava no shopping não lançava mão do esquema das sacolas, porque existe uma rotatividade maior de consumidores. ''Viemos para rua e percebemos que há necessidade desse trabalho. Todo os dias saem sacola da loja e isso ajuda a estreitar o relacionamento e a intimidade com a cliente'', comenta a empresária, acrescentando que de cada quatro sacolas que saem diariamente, pelo menos duas voltam vazias para a loja.
A lojista ressalta, entretanto, que faz isso com as clientes que não têm tempo de ir à loja. Ela também vende roupas masculinas, e a estratégia é bem aceita pelos homens. ''Dificilmente os homens têm tempo de ficar experimentando roupas. Faço sacolas para as mulheres levarem para eles provarem em casa'', complementa Andrea.
Em alguns casos, como na boutique Maria Vitória, a estratégia responde por até 30% do faturamento da loja. A proprietária Lou Malamud conta com uma grande clientela usando esta forma de trabalho. ''Tem clientes que eu nem aviso que estou mandando a sacola, porque já tenho bastante intimidade'', diz Lou, que faz venda por sacola desde quando abriu a loja, há oito anos. Ela manda as sacolas por um motoboy.
Segundo a empresária, o alvo são freguesas que trabalham o dia todo e não têm tempo para ficar em boutique provando roupa ou ainda, não se sentem bem no ambiente da loja, preferindo fazer isso em casa. ''Em casa, elas experimentam com uma bijuteria, com um sapato, enfim com outros acessórios'', afirma. A loja dela é abastecida com roupas novas a cada 15 dias. Ela só não manda sacolas nos três primeiros dias, após a chegada das roupas porque nesses dias vai muita freguesa. ''Nesses dias não posso deixar sem estoque. Depois quando dá uma acalmada é que começo a mandar, pelo menos quatro sacolas por dia.
A Nuts, boutique da Rua Paranaguá que atende de criança a adultos, também está apostando nas vendas por sacolas. De acordo com uma das sócias, Flávia Matida, a estratégia vem dando certo e muitas vendas estão sendo efetuadas desta forma. ''A gente atende também crianças e elas não gostam de ficar provando roupas. Normalmente a mãe passa por aqui, escolhe algumas peças e a gente coloca mais algumas opções para levar para casa'', conta Flávia, que acha que esta forma de venda também funciona como uma ferramenta de relacionamento com a cliente.

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