Uma pessoa que mora no centro de uma cidade de porte médio pode ter a sensação de estar em outra cidade quando vai a algum bairro da periferia. É que os bairros, com o tempo, passam a ter uma espécie de ''autonomia'', determinando o seu próprio ritmo.
Esta diferença não se refere apenas ao comportamento de seus moradores. Ela pode ser observada também nas atividades comerciais. Nos sacolões, por exemplo, o que fica mais evidente é a fixação dos preços das mercadorias. Enquanto no centro, os sacolões adotam um preço único para boa parte dos produtos, na periferia os mesmos produtos são cobrados com variedade de preços. Porém, o que mais chama a atenção dos consumidores é a diferença entre um e outro, que pode superar 50%.
Reginaldo Gonçalves é gerente de um sacolão que existe há 20 anos nos Cinco Conjuntos. Ele explica que a fórmula para oferecer preços mais baixos a seus clientes está na origem dos produtos.''A gente pega as mercadorias direto do produtor, porque sai mais barato; na Ceasa a gente só pega de vez em quando porque lá cada dia é um preço''. O gerente também afirma que as promoções dos supermercados não interferem no movimento de seu sacolão. Ele acredita que os mercados conseguem preços mais baixos pela quantidade de mercadorias que oferecem. ''O que eles perdem em um produto, ganham em outro'', afirma.
Tiago Felipe Santana que foi ao sacolão comprar morangos e maracujá também prefere comprar no bairro. ''Prefiro este mais perto; ir ao centro não compensa''.
A dona de casa Sueli Ribeiro não conhece os sacolões no centro, mas tem informação de que ''são muito caros''. Ela mora nos Cinco Conjuntos e sempre compra os gêneros de primeira necessidade no próprio bairro porque acha os preços bons. ''Aqui dá para comprar satisfatoriamente'', opina.
A empregada doméstica Antônia José dos Santos trabalha no centro da cidade e mora no Conjunto Farid Libos (Zona Norte). Ela anda a pé cerca de três quilômetros para ir a um sacolão na Avenida Saul Elkind. Para Antônia, o sacrifício da caminhada vale a pena porque ''há muita diferença de preços; assim compensa fazer as compras por aqui mesmo'', justifica.
O barbeiro aposentado Genário Albino da Silva, por sua vez, demonstra estar bem atento aos preços e à qualidade dos produtos em todas as circunstâncias. ''Aqui no sacolão os preços são bons, as frutas e verduras são fresquinhas, e está mais barato que na feira''. Ele diz que conhece as promoções realizadas pelos supermercados, mas acha que ''a qualidade dos produtos não é muito boa''. Outro motivo que aparece na preferência de Genário é o conhecimento que tem com as pessoas da região onde mora.
Para o economista Renato Pianowski de Moraes há diferença de preços entre os estabelecimentos que vendem os mesmos produtos porque ''cada um tem a sua mágica na hora de definir uma planilha''. Ele aponta, entretanto, quatro fatores relacionados à lei de oferta e da procura que interferem diretamente no preço final ao consumidor: a fonte, os locais onde o empresário busca as mercadorias para revender; a sazonalidade, ou seja, os períodos de safra ou interferências climáticas como excesso de chuva, geada ou estiagem; a concorrência, no caso as feiras e as promoções dos supermercados, e também a localização, ou seja, na periferia há tendência de um custo menor de manutenção.
No caso dos alimentos perecíveis, há também a questão da qualidade, que o economista define como ''paradigma do peixe fresco''. Ou seja, quando a mercadoria é recém chegada, ela tem um valor e com o passar as horas ou dos dias, este preço é reduzido.

Promoções
Confira os preços praticados por uma rede de supermercados de Londrina que faz promoções às quintas feiras:
– Tomate rasteiro, R$ 0,29 o quilo;
– Batata monalisa, R$ 0,99 o quilo;
– Chuchu, R$ 0,99 o quilo;
– Cenoura, R$ 0,39 o quilo;
– Tomate de primeira, R$ 0,79 o quilo;
– Couve, R$ 0,49 o maço; e
– Cheiro verde, R$ 0,75 o maço.

Moedas falsas
Vários estabelecimentos comerciais de Londrina não estão aceitando algumas moedas de R$ 0,50 e R$ 1,00 sob a alegação de que são falsas. O caixa que recusa faz uma comparação simples: além da aparência, as moedas ‘‘falsas’’ não aderem ao imã.

Três centavos
A ‘‘guerra’’ de preços entre os postos de combustíveis de Londrina tem algumas sutilezas. O dono de um posto, que tem um concorrente bem ao lado, mantém seus preços sempre três centavos abaixo. Vale para a gasolina, o álcool e óleo diesel.

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