Sacola plástica deixará de ser usada em SP
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Agência Estado 
São Paulo - Na quarta-feira, pelo menos 80% dos supermercados do Estado de São Paulo deixarão de fornecer sacolas plásticas para seus clientes. Caixas de papelão e sacolas retornáveis são as opções mais comuns oferecidas pelas redes. Quem quiser, também poderá adquirir sacolas biodegradáveis por cerca de R$ 0,20.
A iniciativa de tirar as sacolas dos caixas é fruto de um acordo entre a Associação Paulista dos Supermercados (Apas) e o governo do Estado de São Paulo. Preferiu-se este caminho à adoção de uma lei. ''Optamos pelo diálogo com o setor'', afirma o secretário do Meio Ambiente, Bruno Covas. ''O acordo é voluntário por parte das redes.''
Para ambientalistas e gestores públicos, a medida tem um importante valor simbólico. Apesar de as sacolas só representarem uma pequena parcela do volume total de lixo descartado, têm o mérito de trazer para o cotidiano das pessoas a preocupação com a sustentabilidade, aponta Fernanda Daltro, gerente de consumo sustentável do Ministério do Meio Ambiente. ''As pessoas aprenderão a separar o lixo seco do úmido, que é o que realmente precisa da sacola plástica para não fazer sujeira.''
O governo federal pretende lançar em fevereiro, em conjunto com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), uma campanha inspirada na experiência de São Paulo, na esperança de que outros Estados sigam o exemplo. Será a segunda fase da campanha ''Saco é um saco'', criada em 2009 pela pasta.
Covas e Fernanda concordam que o banimento total, baseado na autoridade do Estado, não constitui uma solução, mas uma complicação. ''A ideia não é banir o plástico'', afirma Covas. ''Mas diminuir o impacto ambiental sem atrapalhar a vida do cidadão.'' O presidente do Instituto Akatu, Helio Mattar, recorda que o problema central não é o plástico, mas sim a descartabilidade das sacolas. Fernanda concorda: ''O plástico é um material nobre: leve, barato, durável, higiênico. Deveria ser usado só para produtos não descartáveis''.
''Essa lei foi aprovada por interesse econômico (dos supermercados) e não ambiental ou social'', critica Miguel Bahiense, presidente da Plastivida, entidade que representa institucionalmente o setor dos plásticos. Ele estima em R$ 500 milhões a economia das redes com a restrição. ''Vão repassar essa economia para os clientes? Duvido.''
Ligia Korkes, gerente de Sustentabilidade do Grupo Pão de Açúcar - dono da rede homônima e do Extra -, afirma que o dinheiro obtido com a economia das sacolas plásticas será revertido para ações de sustentabilidade do grupo.


