Embora a ocorrência de geadas seja ainda uma ameaça distante, o preço do feijão no Paraná continua subindo. De acordo com Gilberto Martins Bello, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), o preço médio da saca de 60 quilos (carioquinha) subiu de R$ 94,30 para R$ 95,00 na última semana. ''Mas alguns produtores estão conseguindo vender a saca do produto de melhor qualidade por até R$ 130,00'', explicou.
Da mesma forma, ele não acredita que o aumento na expectativa de produção reduza o preço do grão. Há sete dias, o Deral previa uma colheita de 176.772 toneladas e ontem essa estimativa girava em torno de 178 mil toneladas. Para o engenheiro agronômo, o responsável pelo aumento da safra é o clima: sol e chuva na medida exata em boa parte do Estado. ''Acredito que a partir de agora o preço da saca se estabilize em R$ 95,00.''
Até agora, a colheita atingiu 6% dos 120 mil hectares cultivados. O agricultor Neudi Mosconi, de Cascavel, concluiu o plantio há uma semana e espera colher o feijão entre maio e junho. Este ano, ele aumentou em 30% a área cultivada por causa da valorização do produto. Sua pretensão é que cada um dos 200 alqueires gere entre 45 e 55 sacas. ''Não sonho vendê-las a R$ 100,00 cada uma, mas, pelo menos, R$ 70,00 devo conseguir'', adiantou Mosconi, ao lembrar a concorrência com outros Estados no final do semestre. O agricultor avalia ter gasto nesta safra, entre insumos e mão-de-obra, de R$ 2,2 mil a R$ 2,5 mil por alqueire. Mesmo assim espera um bom lucro.
Conforme o meteorologista Marcelo Brauer, do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), o outono este ano será típico. Isso quer dizer que a temperatura cairá gradativamente até o início do inverno e as geadas deverão ocorrer apenas a partir do final de abril. ''É apenas uma previsão com risco maior para as regiões mais altas do Estado como Guarapuava, Ponta Grossa e região metropolitana de Curitiba''.
Embora o mercado do feijão seja muito instável, no momento ele está tranquilo. Essa é a opinião do corretor Cícero Luiz Malucelli, que há 21 anos trabalha com a comercialização agrícola. O consumo caiu por causa do preço e, mesmo com o avanço da colheita, ele não espera que haja muita variação na tabela. ''Ninguém segura o feijão porque ele é um produto que sobe e desce de preço com a mesma facilidade. Além disso, existe o risco de perda na qualidade, no caso do carioquinha'', argumentou. Essa opinião é dividida com Mosconi, que faz do feijão um meio para obter caixa entre as lavouras de soja e milho, tradicionalmente mais rentáveis.

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