Arquivo FolhaSustentadoFranscico Barbosa Lima: ‘‘Mercado deve permanecer firme até a entrada da próxima safra brasileira’’ A escassez de ofertas e o aumento do consumo no Hemisfério Norte por causa da chegada do inverno provocaram fortes altas nas cotações de café ontem. Na região de Londrina, a saca do café Bebida Dura, tipo 6, foi negociada a R$ 235,00, o que representa alta de 4,48% ou R$ 10,00 por saca em apenas um dia. Na Bolsa de Nova York, as cotações do café fecharam com alta de 885 pontos nos contratos do mês de março, sendo cotado a 183,20 centavos de dólar/libra-peso, com alta de 5,07% em relação ao pregão anterior.
Segundo o corretor do Escritório Marrequinho, em Londrina, Geraldo Ferreira de Souza, vários fatores sustentaram as altas de ontem. Ele destacou que as chuvas estão prejudicando a produção e embarques na Colômbia, segundo maior produtor mundial. ‘‘Já se falam em quebra de 500 mil sacas por causa das chuvas’’, comenta o corretor. Outro país produtor que enfrenta problemas com as chuvas, segundo Souza, é a Indonésia, o que contribui para diminuição nas ofertas.
O engenheiro agrônomo do Departamento Nacional do Café (Denac), Francisco Barbosa Lima, observa que além do problema na Colômbia e Indonésia, os embarques de café no Brasil foram prejudicados pela greve no porto de Santos.
Lima afirma ainda que os estoques em poder dos países produtores são os mais baixos dos últimos 30 anos. O Brasil, segundo o agrônomo do Denac, responde por 50% dos estoques mundiais, com 11,7 milhões de sacas apenas nas mãos do governo. Lima afirma que os países consumidores detêm um estoque entre 9 milhões e 9,5 milhões de sacas.
O agrônomo observa que o mercado deve permanecer firme até a entrada da próxima safra brasileira, no segundo semestre do ano que vem. Ainda não há um estudo oficial sobre o volume a ser colhido, mas o mercado trabalha com expectativa de que a safra fique acima dos 30 milhões de sacas de café. Barbosa Lima diz que o consumo brasileiro fica em 11 milhões de sacas e 17 milhões são exportados. ‘‘Será a primeira vez em cinco anos que teremos produção superior ao consumo’’, comenta.
O vice-presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Estado do Paraná, Devanil Vicente Ferreira, também acredita que os preços devem se manter firmes. Mas o corretor diz que o momento é ‘‘muito bom’’ para o produtor vender café. ‘‘Não adianta ficar esperando para vender lá na frente para pegar preços melhores. Com a definição da safra brasileira que já está sendo anunciada no mercado, a tendência é de os preços se estabilizarem’’, comenta. Ferreira observa que os produtores de café no Paraná que tiveram boa produtividade na última safra estão conseguindo lucro de até 300%.

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