Saca da soja chega a R$ 20 em outubro
Oswaldo Petrin
O preço da soja pode chegar a R$ 20/saca entre outubro e novembro deste ano, independente do resultado da safra norte-americana. A esse preço, descontados os custos de comercialização, o produtor vai receber entre R$ 16 e R$ 17, cerca de 25% acima dos preços atuais em torno de R$ 14. A previsão é do professor Ismael Mologni, que estuda o comportamento do mercado da commoditie há mais de 20 anos. Mologni deixa claro que este preço não é nada excepcional. Afinal, o produtor não foi beneficiado com o ajuste cambial de 13 de janeiro. O diferencial acabou indo para os manipuladores do mercado.
Grandes grupos compradores (oligopsônios) forçaram a baixa do preço internacional quase na mesma proporção da desvalorização da moeda brasileira. O produtor brasileiro não foi beneficiado com o diferencial, disse o professor. A soja caiu em Chicago para US$ 4,70/bushel, ou US$ 10/saca. O preço não reagiu imediatamente após o ajuste cambial - ao contrário do que se esperava -, porque a cotação caiu em dólar em Chicago, resume Mologni.
Mas a estratégia de redução dos preços praticada pelos detentores do mercado, não se sustenta, segundo Mologni. Com preço baixo, o produtor norte-americano transfere o problema para os fabricantes de tratores, equipamentos e insumos, reduzindo as compras. Mologni admite pressão de fabricantes de máquinas e insumos. Esses setores não tiveram benefício de ajuste de câmbio e, como agente do agribusiness, eles têm que sobreviver.
Analisando as variáveis que exercem influência sobre mercado, Mologni não tem dúvida de que o preço internacional deve passar de US$ 4,70/bushel para algo entre US$ 5, e US$ 6. O cenário é favorável independente do comportamento da safra norte-americana. Se ela tiver problema e sofrer quebra, o mercado reage de forma ainda mais favorável, disse.
Delineada a tendência do mercado, Mologni sugere: quem puder segurar a soja deve transferir as vendas para outubro ou novembro. Se aplicar o dinheiro certamente terá um rendimento menor do que a alta do produto. Se tiver dívida com juros de crédito agrícola também compensa esperar. Mas para quem paga juros de mercado não compensa.
Segundo Mologni, quem vendeu a soja verde, antes da desvalorização do real, está obtendo hoje cerca de R$ 18. Basta multiplicar por 1,7 do dólar.
Mas é uma exceção - ressalva - porque em geral a venda antecipada tem se revelado um negócio desinteressante.





