Dois atos de sabotagem, segundo técnicos da Embratel, deixaram o Rio Grande do Sul e a região oeste de Santa Catarina parcialmente impedidos de fazer e receber ligações telefônicas do resto do País na manhã de ontem. As primeiras investigações realizadas pelos técnicos da empresa nas duas subestações indicam a utilização de explosivos para danificar as instalações.
As ‘‘ações danosas dirigidas’’, como definiram diretores da Embratel (Empresa Brasileira de Telecomunicações), ocorreram na cidade de Correia Pinto, vizinho a Lages, e no município de Borel, ambas no sul de Santa Catarina.
A Embratel, principal provedora de serviços telefônicos de longa distância e internacionais do Brasil - que também fornece outros 40 tipos de serviço de transmissão de dados - pertence ao Sistema Telebrás, que tem privatização marcada para amanhã.
O gerente regional da Embratel em Santa Catarina, Danilo Cunha, disse, com base em informações da Polícia Civil, que as guias de microondas (cabos de conexão) entre as estações e as torres ‘‘foram seccionados e sofreram esgarçamento’’ (leia abaixo).
O técnico em telecomunicações da unidade da Embratel em Lages, Vilson Duarte, 43, confirmou no final da tarde de ontem que o incidente foi provocado por artefato explosivo. ‘‘Quem detonou a explosão sabia o que estava fazendo. A ‘‘coisa’ foi montada por profissionais. O dano determinou uma queda de 40% na capacidade do sistema. Com isso, houve congestionamento nas linhas.
A empresa utilizou ‘‘rotas alternativas , entre as quais linhas de fibra ótica, para desviar o fluxo de ligações e informações e conseguiu o restabelecer o sistema por volta de 10h30. Cunha disse que, a partir da provável sabotagem de ontem, a Embratel vigiará suas 22 estações em Santa Catarina com guarda particular ou com ajuda da PM, do Exército e da Aeronáutica. A CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações) divulgou nota, em Porto Alegre, dizendo que lamentava o problema de ordem operacional, que ‘‘interrompeu o tráfego das telecomunicações’’.
A Telesc, empresa de Santa Catarina, também confirmou que houve problemas na região oeste do Estado, mas não informou a quantidade de terminais que ficaram inativos. A reportagem apurou em Correia Pinto que havia três técnicos da Embratel na Subestação Repetidora de Lages no momento da depredação. Nenhum deles foi localizado ontem pela reportagem. A Embratel também não forneceu a identidade de nenhum.
OposiçãoO ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, disse ontem em Campinas (SP) que as explosões nas duas torres da Embratel em Santa Catarina foram ações de ‘‘grupelhos da oposição interessados em tumultuar o leilão da Telebrás, amanhã. ‘‘Na oposição política, existem grupelhos que ainda querem fazer um grande mártir desse processo. Esse atentado é um sinal para nós’’.
Ontem, o presidente do Sinttel-SC (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações de Santa Catarina), Sérgio Domingues da Silva, 49, disse que os telefônicos não tiveram participação nas ações contra a Embratel. ‘‘Qualquer suposição nesse sentido será uma leviandade, e quem vincular a ação à atividade sindical estará cometendo uma atitude pouco inteligente’’. Ele ameaça ir á Justiça caso o sindicato que preside seja relacionado de alguma forma aos atos de sabotagem.

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