'Sabor com lembranças da infância'
Ao provar o café o degustador deve estar atento aos seus aromas e ao sabor. Geralmente, as discrepâncias entre a qualidade dos grãos tornam estes fatores perceptíveis aos mais atentos. Segundo Joana D'Arc Teixeira de Faria, funcionária da Emater, classificadora e degustadora de café, as bebidas moles e duras são dois extremos de uma classificação. A mole tem sabor mais adoçicado e acidez mais leve. Já as bebidas duras são desagradáveis ao paladar.
''Ao tomar uma bebida o degustador deve remeter aquela sensação à sua infância e às suas experiências. Ao beber uma bebida ruim uma pessoa pode falar que o gosto é de remédio, enquanto uma outra pode achar parecido com 'saco de estopa' ou 'cabo de guarda-chuva''', exemplifica Joana D'Arc. A produtora e comercializadora de café Raquel Nader Resende Fraiz, que cultiva 60 hectares de café há 20 anos em Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho), participou do curso de degustação.
Ela já faz parte do grupo gestor de cafeicultores do Norte Pioneiro e optou pela qualidade do café. ''O mercado ainda não responde à qualidade. O resultado é a longo prazo'', comenta Raquel. O cafeicultor Ricardo Batista dos Santos já ganhou três concursos regionais de qualidade e mesmo assim fez o curso de degustação de café para conhecer melhor o seu produto. Ele revela que depois dos prêmios conseguiu um ágio de 30% no preço.
O café ocupa 5,5 hectares de sua propriedade de 42 hectares em Congonhinhas (55 km ao sul de Cornélio Procópio) e rende cerca de 25 sacas beneficiadas por hectare. ''Só uma renda não garante sobrevivência, o caminho é a diversificação'', diz. O cafeicultor José Nunes afirma que depois do curso ''vai saber o que está vendendo''. (F.M.)





