Buenos Aires O presidente argentino, Adolfo Rodríguez Saá, anunciou ontem que enviará ao Congresso um projeto para cancelar a última reforma da Lei Trabalhista, que flexibilizava as normas de trabalho. ''Vamos enviar um projeto para cancelar a Lei Trabalhista'', anunciou o presidente peronista na sede da Confederação Geral do Trabalho (CGT). ''Não queremos ser escravos'', completou o presidente. A aprovação da Reforma Trabalhista em abril do ano 2000 provocou seis meses depois a renúncia do vice-presidente Carlos Alvarez, que acusava altos funcionários próximos ao então presidente Fernando de la Rúa de ter pago propinas para conseguir o voto de alguns senadores.
O presidente argentino também anunciou na Confederação Geral do Trabalho (CGT) que enviará uma lei ao Parlamento para estabelecer ''um limite nas aposentadorias do funcionalismo público de 2.400 pesos (igual em dólares)'' e que devolverá ''o desconto de 13% dos salários dos aposentados'', aplicados desde julho.
Num inflamado discurso na sede da maior central operária, Rodríguez Saá prometeu ''por fim a outra situação de privilégioi'', referindo-se às aposentadorias pagas a ex-altos funcionários públicos e ex-deputados.

Moratória externa A moratória decretada pela governo provisório da Argentina deverá atingir apenas credores internacionais. Em uma entrevista publicada ontem pelo jornal ''Clarín'', o novo secretário da Fazenda e Finanças, Rodolfo Frigeri, afirmou que os vencimentos devidos a bancos nacionais serão honrados. Na sexta vencem US$ 504 milhões em Letes (Letras do Tesouro). Frigeri não disse de onde sairão os recursos, mas afirmou ao diário argentino que o pagamento desses títulos será feito.
''Nós podemos renegociar o pagamento'', mas nossa intenção é pagar'', disse Frigeri. ''Sabemos que dispomos de crédito apenas no mercado doméstico e não temos intenção de prejudicar os credores locais.'' No domingo passado, o presidente provisório, Adolfo Rodríguez Saá, anunciou, durante sua posse, a suspensão do pagamento dos compromissos da dívida pública do país, de cerca de US$ 147 bilhões.

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