RUTH BOLOGNESE
Na rede de interesses
Quando política e futebol se misturam, quem perde são os eleitores e torcedores. Nesta semana, a disputa pela presidência da Federação Paranaense de Futebol (FPF), de triste memória, linkou Brasília a Curitiba, deputados federais ao palácio provisório das Araucárias, e não foi exatamente pelo bem do Paraná.
Mais uma vez comprova-se que político é um bicho com visão abrangente, de farol de milha, quando se trata do próprio futuro. É isso que garante a velharia que aí está há mais de 30 anos dando as cartas, agarrada firmemente aos galhos do poder, independente da osteoporose. De repente, a presidência da FPF tornou-se um caso de vida e morte para o PMDB e companhia porque será por maio dela que vão passar os recursos nacionais e internacionais da Copa do Mundo de Futebol de 2014, daqui a seis anos portanto, se o Paraná conquistar uma boquinha como um dos Estados da Federação a sediar os jogos.
Diante de tal possibilidade, e devidamente instigados pelos cartolas locais, nossos políticos passaram a se movimentar tal qual garotos imberbes, expelindo hormônios de ansiedade para obter o controle da Federação. Na primeira artimanha em busca de mais esta conquista, o PMDB até criou um slogan mandrake, mas altamente significativo, direcionado ao seu próprio dono, o governador Requião: solta o Onaireves que ele ganha.
Era a senha para ganhar a eleição de abril com o nome mais sujo que pau de galinheiro que já surgiu na meia-cancha do futebol local. Eterno presidente da Federação, Onaireves Moura cumpre a segunda estadia na Penitenciária, por comprovados atos de roubalheira enquanto ocupante do cargo.
Avestruz na Bolsa
Mas o mote da campanha peemedebista tinha sua razão de ser. Onaireves é exatamente o homem que presenteou o governador Requião com um casal de avestruzes enquanto era o showman da introdução destas bichas no Brasil, através de vendas de ações a investidores ingênuos que só podiam terminar aonde terminou: na penitenciária.
Mesmo assim, Onaireves tem a força, um bem azeitado sistema de compadrismo, mais antigo (e mais nefasto) do que a mais velha das profissões, que lhe garante qualquer eleição para presidência da Federação assim que conseguir dar tchiauzinho para o guarda da prisão. Sem condições de ser solto até abril, no entanto, sua ausência abre um leque de possibilidades, que agora atrai gente de tudo quanto é lado.
Em torno da bola
A molecada que pula feito doido em torno da presidência da Federação, numa mistura explosiva de interesses e origens políticas, tem nomes conhecidos nos círculos do poder paranaense: a começar pelo governador Roberto Requião, que a última bola que viu na vida foi aquela que lhe saltou aos olhos quando vestiu a camiseta da seleção brasileira no Rio de Janeiro, há duas semanas, formada pela protuberância do próprio ventre, a lhe impedir a visão das partes baixas do organismo. Estava lá para defender as cores paranaenses para a Copa de 2014 junto ao cartola mor do Brasil, Ricardo Teixeira, presidente da CBF.
Entusiasmado com a disputa na Federação, o governador lançou o nome do seu chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro, para concorrer ao cargo contra o substituto de Onaireves, Hélio Cury, e imediatamente colocou o PMDB, leia-se Doático Santos, em busca de apoios e coligações com ligas amadoras e afins do interior do Estado. Ato contínuo, atraiu para suas bases o supercartola do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia, mais lernista do que dona Fani, que só pensa naquilo: obter recursos para concluir o estádio da Arena da Baixada, venham de onde vier.
Pois é, a molecada aqui fora se diverte com ataques e contra-ataques na briga pelo controle da Federação. Aguarda-se ainda a presença do prefeito Beto Richa e do vice-governador Orlando Pessuti, amigo fiel de Hélio Cury, apoiado pelos tucanos paranaenses que não sabem nem com quem estão se alinhando, afora o fato que Cury está do outro lado da trincheira requianista. É uma preliminar da disputa eleitoral de outubro. E, assim, todos eles vão treinando, treinando...





