Rússia usa gás para fazer pressão
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sábado, 06 de maio de 2006
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Genebra - A Rússia parece cada vez mais convencida de que pode usar o gás para pressionar e já começa a protagonizar crises em alguns mercados, como o europeu. Os russos decidiram em janeiro acabar com os preços mais favoráveis que cobravam pelo seu gás exportado para a Ucrânia, afetando inclusive a União Européia (UE). Os russos não pensam duas vezes em fechar as torneiras de gás cada vez que querem pressionar a Geórgia e outras ex-repúblicas soviéticas. Além disso, não poupam investimentos para a construção de gasodutos para países onde querem manter certa influência, como na Turquia.
De acordo com diplomatas ocidentais em Kiev, a manobra nos preços pelo Kremlin foi uma forma de os russos pressionarem o presidente ucraniano Viktor Yushchenko, mostrar a dependência energética do país para evitar uma aproximação excessiva da Ucrânia com o Ocidente. A Ucrânia, para retaliar os russos, decidiu parar de importar o produto, afetando por tabela os europeus.
O combustível exportado por Moscou para os principais países europeus passa por um gasoduto que atravessa a Ucrânia. Com a decisão de Kiev de suspender a passagem do gás, quem mais temeu foi o bloco europeu.
Bruxelas depende da Rússia para 25% de seu consumo de gás. Segundo a Administração de Informação Energética dos Estados Unidos, a dependência européia irá se acentuar até 2020 e a UE terá de importar até 75% de seu consumo de gás natural.
Não por acaso, a crise diplomática entre Rússia, Ucrânia e a Europa foi considerada uma das mais sérias dos últimos meses na região e obrigou a UE a rever toda a sua estratégia energética.
China e Japão - Crescendo a taxas recordes, a China busca de forma desesperada fontes de energia para alimentar sua economia. Uma delas é o gás natural das reservas submarinas no Mar da China. O problema é que o Japão, dependente da importação de energia, também alega que as reservas são suas, o que vem gerando medidas pouco amistosas por parte de Pequim e Tóquio.
Os chineses chegaram a enviar barcos de guerra à região das reservas. E Tóquio autorizou o investimento de empresas japonesas na área contestada. Isso fez com que manifestantes chineses fizessem protestos, dando força ao sentimento antijaponês que existe no país desde a Segunda Guerra.


