Rússia triplica as taxas de juro
Agência Estado-Dow Jones
Alexander Reprenov/France PresseDia duroOperador russo, depois da queda espetacular, ontem, de 10,56%. O mercado voltou a ser varrido pelo pânico, com movimento de venda principalmente por parte dos bancos, desesperados por dinheiro em caixaEm uma tentativa desesperada de acalmar o mercado financeiro, conter a fuga de investidores internacionais e manter o valor do rublo, o Banco Central da Rússia elevou ontem suas principais taxas de juro de curto prazo - a redesconto e a Lombarda - de 50% para 150% ao ano. O aumento seguiu-se ao colapso do mercado de títulos de dívida pública ontem, quando a taxa de retorno do bônus GKO de um ano chegou a aproximadamente 90% durante um pregão de mercado secundário adicional.
‘‘Nós manteremos o rublo dentro da anunciada banda de intervenção com o aumento da taxa de refinanciamento’’, disse o presidente do BC, Sergei Dubinin.
O rublo russo conseguiu se recuperar de uma acentuada queda diante do dólar, depois que o BC interveio pesadamente para sustentar a moeda - as divisas fortes do BC caíram para US$ 14 bilhões hoje dos US$ 15,5 bilhões da sexta-feira - e triplicou suas principais taxas de juro.
As transações com o rublo perderam vigor por volta do meio-dia, com os participantes assustados pela volatilidade do mercado. Os preços dos títulos de dívida pública despencaram, com as taxas de retorno subindo para cerca de 90%.
Uma venda pesada tirou o rublo da banda anunciada pelo Banco Central no começo do dia, que chegou à mínima de 6,1905 por dólar. No final do dia, entretanto, um operador disse que a divisa russa estava sendo cotada a 6,1740 por dólar, mas que não havia ‘‘mercado’’ naquele momento. Ontem, o dólar para entrega no dia seguinte fechou a 6,1830/6,1850.
Operadores disseram que ainda era muito cedo para dizer se o aumento das taxas de juro ajudaria o rublo, uma vez que as transações estavam muito ilíquidas no período da tarde.
A Bolsa de Moscou fechou com o índice RTS em queda de 22,10 pontos (10,56%), em 187,23 pontos. O volume alcançou US$ 77 milhões, de US$ 59 milhões ontem. O mercado voltou a ser varrido pelo pânico, com vendas fortes especialmente pelos bancos russos, aparentemente desesperados por dinheiro em caixa.
Reagindo à tempestade em Moscou, o presidente Boris Yeltsin convocou o primeiro-ministro Sergei Kiriyenko, o ministro das Finanças, Mikhail Zadornov, e o presidente do Banco Central para conversações de emergência hoje no Kremlin.
Peter Halloran, gerente do Pharos Fund, sediado na capital russa, disse que o caos de ontem nos mercados parece ter reforçado a opinião de vários traders, de que apenas uma operação internacional de socorro financeiro poderá interromper a crise.
Segundo ele, os participantes do mercado estarão atentos nos próximos dias a sinais de um possível pacote de ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) - maior credor da Rússia - ou de governos ocidentais, como o dos EUA. Mas o representante-chefe do FMI em Moscou, Martin G. Gilman, declarou ontem que ‘‘não têm ocorrido discussões sobre algum tipo de socorro’’. Para ele, ‘‘o principal é que o governo russo deveria estar implementando medidas fiscais que tenham credibilidade tanto para o Fundo como para o mercado’’.
A crise na Rússia pressionou ontem as moedas e os mercados da Europa Central e do Leste. Os investidores manifestaram sua preocupação com uma possível desvalorização do rublo russo vendendo ativos da Hungria, República Checa e Polônia.

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