O fim do embargo russo sobre a carne brasileira, confirmado ontem pelo Ministério da Agricultura, aliviou o mercado. A suspeita que pairou sobre a sanidade do produto brasileiro, segundo analistas do setor, poderia atrapalhar a conquista de novos mercados, que ficaram órfãos dos Estados Unidos e Austrália.
Segundo o consultor econômico Fabiano Tito Rosa, o mal da vaca louca, nos Estados Unidos; e a seca na Austrália, no ano passado, reduziram a produção de carne - principalmente bovina -, nestes países e abriram uma lacuna mundial que estaria sendo preenchida pelo Brasil. Em 2003 o País foi o primeiro exportador mundial de carne bovina. Com o episódio da aftosa e a manutenção dos embargos - russo e argentino-, o Brasil poderia sair prejudicado na conquista de novos mercados e na manutenção dos atuais importadores.
No momento, apenas a Argentina e, segundo especulações, a Indonésia, boicotam o produto brasileiro, que foi penalizado a partir da notificação de um caso de aftosa no Pará, há cerca de duas semanas. No início da polêmica, o Paraná encontrou dificuldade para embarcar sua mercadoria devido a uma confusão entre os nomes dos dois Estados.
De acordo com o Departamento de Economia Rural do Estado (Deral), da Secretaria de Agricultura do Paraná, praticamente não houve prejuízo com o embargo russo porque o período de investigação foi curto.
''Os problemas resumiram-se ao atraso no embarque e redução no ritmo de produção'', disse João Martins, diretor do frigorífico Amambai, única empresa paranaense a exportar carne para a Rússia.
Na prática, os Estados mais afetados com o embargo foram o Mato Grosso e Tocantins, porque perderam o posto de fornecedores para aquele País. A justificativa é que os dois Estados fazem divisa com o Pará.
A Rússia é um dos maiores consumidores da carne brasileira in natura ao lado do Egito e Chile. Cada um deles compra entre 12% e 13% do volume total exportado. No caso do frigorífico Amambai, 30% a 40% da produção é destinada ao ex-País da União Soviética que também é um dos principais consumidores da carne suína brasileira.
De acordo com Fabiano Rosa, o embargo russo aliado à entressafra e à queda da noventena no processo de rastrabilidade (agora o animal passa, no mínimo, 40 dias sob avaliação ao invés de 90) reduziu o preço da arroba do boi rastreado entre R$ 1,00 e R$ 4,00 no Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.
No entanto, o consultor acredita que na próxima semana a tabela voltará ao patamar anterior. ''O Brasil é um dos Países mais competitivos porque oferece um produto mais barato e mais seguro. No entanto, não podemos descuidar da sanidade, do padrão de qualidade e da oferta'', concluiu o consultor que prevê para o setor um faturamento de US$ 2 bilhões este ano contra US$ 1,5 bilhão obtidos em 2003.

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