Brasília - O governo russo disse ontem, desejar que o Brasil ocupe o lugar dos Estados Unidos como fornecedor de frango ao país, em um volume que chega a 200 mil toneladas ao ano, informou uma fonte do governo brasileiro. A Rússia já havia anunciado que pretende aumentar a importação de carnes brasileiras - além do frango, suínos e bovinos - a partir de setembro. Durante encontro entre representantes dos dois países, o governo russo também informou que planeja comprar frutas e legumes brasileiros, a depender da disponibilidade dos produtores nacionais.
Ainda não se falou em números, mas o Ministério da Agricultura (Mapa) deve começar um levantamento sobre a capacidade de fornecimento. Também foi acertada a participação de uma missão brasileira à World Food 2014, feira internacional de alimentos que é realizada em Moscou entre 15 e 18 de setembro. A intenção é apresentar produtos nacionais que possam ocupar o espaço deixado pelo boicote russo às importações dos Estados Unidos, da União Europeia e da Austrália.
A Rússia decidiu bloquear a importação de carnes, frutas, legumes, leites e derivados e nozes como resposta às sanções econômicas impostas por norte-americanos, europeus e australianos pela ação russa na Ucrânia. O bloqueio entrou em vigor este mês e vale por um ano, ou até que as sanções sejam revistas. O Brasil já é um dos principais fornecedores de carne da Rússia e deve aumentar sua participação com a ampliação da concessão de certificados sanitários a frigoríficos nacionais, definida esta semana pelo governo russo.

Liberação
Na última quinta-feira, a Rússia anunciou que vai liberar 89 estabelecimentos agroindustriais brasileiros como exportadores para o seu mercado. Serão autorizadas duas plantas de lácteos, quatro de carne suína, 27 de aves e 56 de carne bovina in natura. O Brasil negociou a liberação para a venda de 115 produtos distintos ao parceiro comercial por um ano.
A medida beneficia frigoríficos das empresas BRF, JBS, Marfrig e Minerva, entre outros, instaladas em 12 Estados e no Distrito Federal. A Perdigão e a paranaense Confepar foram autorizadas a exportar lácteos. O Brasil não tinha empresas produtoras de derivados de leite habilitadas na Rússia. O Mapa disse que os itens agropecuários envolvidos na negociação somaram US$ 2,72 bilhões em 2013.
O mercado perdido pelos países que sofrerão as retaliações de Moscou representa 3,8 milhões de toneladas de alimentos que precisarão ser abastecidos por novos parceiros. A Rússia importa US$ 43 bilhões por ano em alimentos e se tornou o maior destino das exportações de produtos agrícolas da UE, além de ser o segundo maior importador de frango americano. Na carne suína, a Rússia demandará 450 mil toneladas do produto. Na carne de frango, o embargo significará um espaço para as exportações de 338 mil toneladas à Rússia. Em lácteos, a retaliação contra os europeus e americanos abrirá um mercado de 459 mil toneladas anuais, além de 900 mil toneladas em legumes e 1,6 milhão de toneladas em frutas. O ministro da Agricultura russo, Nikolai Fyodorov, declarou à agência de notícias Ria Novosti que a lista de itens embargados será monitorada e pode ser ampliada ou reduzida.
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, disse na quinta-feira que um aumento na demanda russa de carne suína não pode ser atendido de imediato pelo Brasil. "Nossa oferta de carne suína é muito baixa e o ciclo para aumentar a produção é de dez meses", afirmou. A ABPA avalia ser viável atender a um aumento no consumo de carne de frango pelos russos.

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