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Londrina

Economia

m de leitura Atualizado em 04/03/2022, 16:29

Rússia pede suspensão da exportação de fertilizantes

Medida joga pressão sobre Bolsonaro, que passou viagem a Moscou justificando necessidade de estabelecer contratos sólidos com os russos

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de março de 2022

Igor Gielow - Folhapress
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São Paulo - O governo da Rússia recomendou aos fabricantes de fertilizantes que suspendam suas exportações.

Imagem ilustrativa da imagem Rússia pede suspensão da exportação de fertilizantes Imagem ilustrativa da imagem Rússia pede suspensão da exportação de fertilizantes
|  Foto: Oficial Kremlin/PR
  

A medida pode afetar diretamente o Brasil, grande importador desses insumos do país que invadiu a Ucrânia no dia 24. E é mais um embaraço diplomático para o governo de Jair Bolsonaro, presidente que foi à Rússia uma semana antes da guerra com a justificativa de garantir o fluxo de fertilizante ao país.

O motivo da decisão, segundo nota do Ministério da Indústria e Comércio, é a desorganização da cadeia logística de exportação.

Com as draconianas sanções impostas a diversos setores da economia da Rússia, como punição pela guerra, transportadoras ocidentais suspenderam seus negócios com o país. Assim, navios de contêineres, caminhões e outras parte da engrenagem que leva o produto ao destino não operam mais em portos russos.

"Falhas no embarque de fertilizantes podem afetar diretamente a segurança nacional de vários países e causar graves consequências na forma de escassez de alimentos para centenas de milhões de pessoas já no médio prazo", diz a nota do ministério. No Brasil, o governo dá como certa a inflação ainda maior de alimentos.

"Recomendamos a suspensão temporária do embarque de fertilizantes russos para exportação até que os transportadores retomem o trabalho rítmico e forneçam garantias para a implementação de entregas", completou.

O impacto para o Brasil ainda precisa ser mensurado. Segundo a reportagem ouviu de um empresário do setor em Moscou, ainda não houve uma norma técnica editada para explicar como será feita a implementação da suspensão.

Assim, pode haver algumas alternativas de exportação direta, sem passar pelos canais ocidentais, e talvez até por meio de países neutros –embora certamente isso irá desorganizar e encarecer as entregas.

O Brasil importa 23% dos seus fertilizantes fosfatados e nitrogenados da Rússia, e 3%, da ditadura da Belarus, também sob sanções devido ao seu envolvimento na guerra da Ucrânia ao lado da aliada Moscou.

O agronegócio brasileiro é o quarto maior consumidor do produto no mundo, atrás de China, Índia e Estados Unidos. Ele é o produto mais importante da corrente comercial Brasil-Rússia, respondendo por cerca de 60% dos US$ 5,9 bilhões importados dos russos em 2021.

A decisão é um tapa na cara de Bolsonaro, que passou sua viagem a Moscou nos dias 15 e 16 de fevereiro justificando a necessidade de estabelecer contratos mais sólidos e de longo prazo com os russos. Acabou ficando famoso por prestar "solidariedade" a Vladimir Putin uma semana antes do ataque à Ucrânia, e na prática não viu nada ser assinado no campo.

Pressupondo o problema com a guerra, agora Bolsonaro aproveitou a crise para sugerir uma de suas obsessões, remover óbices legais à exploração mineral de áreas indígenas para tentar mitigar o problema da falta dos insumos.

Houve tratativas, que já haviam sido adiantadas em uma visita da ministra Tereza Cristina (Agricultura) e do chanceler Carlos França no fim de 2021, para que uma empresa russa adquirisse uma fábrica de fertilizantes desativada da Petrobras, mas nem isso foi formalizado.

A pujança do setor de agro no Brasil passa pelos fertilizantes, dada a pobreza intrínseca do solo no país. Assim, 85% do que o país consome é importado. A Associação Nacional para a Difusão de Adubos acredita que há estoques para três meses.

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