Rússia pede moratória, amplia margem para moeda flutuar e derruba mercados
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segunda-feira, 17 de agosto de 1998
Agência Estado 
Aconteceu o que todo o mercado temia: a Rússia ampliou ontem em 33% o limite de variação do câmbio do rublo e pediu moratória de 90 dias de seus bônus do Tesouro. O governo ampliou o teto da banda de 7,13 rublos por dólar para 9,5. O piso aumentou de 5,27 rublos para 6,0 rublos. Talvez hoje, quando reabrem os negócios com o rublo, os mercados internacionais apresentem uma reação mais expressiva, mas, por enquanto, as reações estão sendo mais suaves do que se esperava.
Teoricamente, a Rússia permitirá uma desvalorização de 50% na moeda diante da média de 6,3 rublos por dólar das últimas duas semanas, caso o dólar atinja o novo teto a partir de hoje. Mas ainda não está claro como serão os negócios. Em outra medida anunciada ontem, foi determinado que cotação oficial do rublo será definida pelo BC diariamente, de acordo com as operações de venda e compra de divisas no câmbio.
O primeiro-ministro russo, Sergei Kiriyenko, disse que a ampliação da banda não significa desvalorização da moeda. O governo paralisou os negócios do câmbio oficial ontem, portanto não houve cotação do rublo. Mais tarde, foi divulgada uma cotação oficial de 6,43 por dólar, diante de 6,31 do fechamento de sexta-feira; mas nas ruas, bancos e casas de câmbio a moeda russa foi negociada no teto, a 9,5 por dólar.
A Rússia restringiu os investimentos estrangeiros em títulos públicos de curto prazo. O governo suspendeu as negociações de todos os títulos do Tesouro, forçando uma reestruturação dos GKOs (papéis denominados em rublos) que venciam até 31 de dezembro de 1999. Novos papéis serão emitidos para substitutir estes títulos e os termos da nova emissão serão anunciados amanhã, quarta-feira.
O impacto mais imediato das medidas foi sentido na Europa, onde as Bolsas abriram com baixas. Mas os investidores foram absorvendo as notícias russas. A Bolsa russa chegou a cair 5,3%; depois, subiu 2,11% e finalmente fechou em baixa de 3,24%. Frankfurt, que chegou a cair mais de 2%, fechou em alta de 0,15%, Paris caiu 0,28% e Londres subiu 0,22%.
O dólar também respondeu rápido, subindo diante do iene e do marco. Após alguma volatilidade e realização de lucros, o dólar caiu. A baixa foi ampliada por declarações do vice-ministro das Finanças para Assuntos Externos do Japão, Eisuke Sakakibara, ameaçando intervenção no câmbio. No início da tarde, os traders notaram pressão sobre a moeda americana vinda também do caso Lewinski, em evidência hoje.
Em Tóquio, a notícia da ampliação da bandas chegou minutos após o fechamento do mercado; mas os investidores já estavam desanimados com as perspectivas ruins de recuperação da economia do Japão e as baixas em Wall Street e outros mercados globais na sexta-feira. A Bolsa caiu 2,18%, e o restante das Bolsas da região seguiu Tóquio.


