Rússia pede informações sobre foco de aftosa
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quinta-feira, 04 de novembro de 2004
Fabíola Salvador<br>Agência Estado 
Brasília O governo da Rússia pediu ao Ministério da Agricultura informações adicionais sobre os cinco focos de febre aftosa registrados no município de Careiro da Várzea, no Amazonas, em agosto, informou ontem o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Os questionamentos, já respondidos pelo Brasil, referem-se às medidas adotadas pelo País para controle da doença no município, que fica a 30 quilômetros de Manaus, explicou o secretário de Defesa Agropecuária da pasta, Maçao Tadano.
Os focos levaram a Rússia a suspender, desde 21 de setembro, as compras de carne do Brasil, inclusive de proteínas oriundas de animais não suscetíveis à aftosa, como é o caso do frango. Acordo entre os governos dos dois países permitiu, no entanto, que os contratos já fechados fossem cumpridos. Em setembro, a iniciativa privada apostava que os prejuízos começariam a ser computados em 60 dias a partir do final de novembro.
Ao anunciar a liberação do comércio de produtos e subprodutos de animais procedentes de Careiro da Várzea, no final de outubro, o governo do Amazonas considerou que as ações de combate à doença tinham sido concluídas, mas informou que continuavam interditadas as propriedades onde foram registrados os focos. Também foi autorizado o trânsito de animais para abate imediato, mas continuam impedidos de sair do município animais para cria, recria e engorda.
Na entrevista, dada à Agência Brasil, Rodrigues garantiu que qualquer novo questionamento feito pelos russos será respondido de forma ''clara, rápida e vigorosa''. Ele lembrou que há cerca de 20 dias o governo brasileiro entregou a Moscou ''uma Bíblia'' com mais de 500 páginas com informações sobre o foco de Careiro da Várzea e sobre o sistema de defesa sanitária do País. ''Até agora, não tivemos resposta. A questão da Rússia transcende aspectos técnicos. A questão é comercial'', comentou Rodrigues.
No acumulado de janeiro a setembro, os russos aparecem como importante compradores de carne do Brasil, com comércio de US$ 168 milhões. Em setembro, a Rússia foi o principal destino da carne brasileira ''in natura'', com compras de 18,5 mil toneladas e receita cambial de US$ 29 milhões.


