Brasília - Não surtiram efeito as primeiras negociações da comitiva brasileira que está em Moscou para tentar reverter o embargo imposto pela Rússia à carne brasileira. ''Eles estão muito firmes e não sinalizaram com a possibilidade do fim do embargo'', admitiu o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, após participar de uma cerimônia em comemoração ao Dia da Árvore. O ministro disse que a missão técnica apresentou todas as explicações técnicas sobre o foco de febre aftosa registrado no município de Careiro da Várzea, no Amazonas.
Mesmo o foco tendo sido registrado em região que não é exportadora de carne, os russos mantêm a suspensão. Rodrigues contou que a missão brasileira conseguiu que a Rússia autorizasse os embarques do carregamentos que estão nos portos. ''As partidas dos lotes que estão nos portos e aguardam os navios estão autorizados'', disse.
Pela segunda vez neste ano, os russos suspenderam as importações de carne brasileira. Em julho, as vendas foram suspensas em razão da descoberta de um foco no interior do Pará, também dentro da área onde as exportações são proibidas. Em agosto, o Brasil foi o maior exportador de carne bovina e suína para a Rússia e um dos primeiros de carne de frango.
Cálculos do Ministério da Agricultura sinalizam prejuízo diário de US$ 4 milhões com o embargo. O grupo brasileiro também levou a Moscou documentos relativos à análise de risco para importação de trigo. Os comentários são de que o embargo imposto pela Rússia seria uma estratégia para que o governo brasileiro flexibilize as regras para importação de trigo local.
A missão apresentou documentos e mapas que comprovam que não há risco sanitário nas importações do Brasil. A argumentação é que a região onde foram encontrados os animais doentes não tem autorização para exportação. Os técnicos informarão ao governo russo que a região onde foi identificado o foco no Amazonas pertence ao Circuito Pecuário Norte, onde o sistema de defesa sanitária animal está em fase de implementação.

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