O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, informou ontem à Agência Estado que a Rússia voltou a liberar as importações de carnes do Brasil, com exceção do Rio Grande do Sul.
Em entrevista concedida por telefone, o ministro explicou que a medida beneficia não só as exportações de carne suína de Santa Catarina, estado considerado livre da aftosa sem vacinação - e que tem maior peso nas exportações - como todas as demais carnes procedentes de regiões do Brasil onde a doença está sendo erradicada com vacinação.
O Paraná, hoje, é um grande exportador de carne suína para a Rússia.
Depois de passar quatro dias prestando informações às autoridades da União Européia, em Bruxelas (Bélgica), sobre o controle da febre aftosa no País, Pratini também criticou o governo do Reino Unido, que suspendeu as importações de carnes brasileiras desde o dia nove. ‘‘A decisão do Reino Unido é eminentemente política. Eles estão tomando esta decisão exagerada, sem respaldo técnico, em função das eleições do próximo dia sete de junho’’, observou.
Pratini lembrou que a decisão do Reino Unido de suspender todas as importações brasileiras de carnes, e não só do Rio grande do Sul, como determinou o comitê veterinário da União Européia, em função da febre aftosa, está sendo condenada por unanimidade por todos os integrantes do bloco europeu. ‘‘Nós vamos manter a pressão para derrubar esta decisão, de preferência antes do dia sete’’, afirmou.
Decisão russa De imediato, a decisão russa beneficiará o desembarque de 28 mil toneladas de carnes suínas que já haviam deixado o Brasil rumo à Moscou. Pratini explicou que só não conseguiu incluir a parte norte do Rio Grande do Sul, produtora de carne suína e que está distante dos focos de aftosa até agora registrados no estado, nas negociações com os russos, por falta de informações sobre dois novos focos da doença em Jari, município localizado na região central do Rio Grandeo do Sul.
Segundo ele, o governo gaúcho não informou oficialmente ao Ministério da Agricultura sobre esses dois focos, o que impediu incluir a região produtora de suínos do estado nas negociações com as autoridades russas. ‘‘A Rússia soube dos focos pelos jornais. Como nós não fomos informados antecipadamente, não pudemos dar as explicações sanitárias que permitiriam esclarecer que os municípios produtores de suínos, como Santa Rosa, Erexim e Frederico Westphalen, estão distantes das áreas afetadas e não correm risco de contaminação’’, lamentou Pratini.
Na avaliação do ministro da Agricultura está havendo uma ação deliberada da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul para prejudicar a região produtora do estado. ‘‘O Rio Grande do Sul está se isolando e, com isso, prejudicando especialmente os agricultores familiares, que vivem da suinocultura’’, observou.
As afirmações do ministro acontecem uma semana depois de uma reunião entre os governadores do Sul e Centro-Oeste com o presidente Fernando Henrique Cardoso, na qual o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, e Pratini, haviam declarado publicamente que as desavenças entre o Ministério da Agricultura e o governo gaúcho com relação à condução do combate à aftosa no estado haviam sido superadas.

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