Rússia e Cuba ampliam embargo a suínos e aves
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sexta-feira, 14 de outubro de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O anúncio de que a Rússia proibiu a compra de carnes brasileiras de todos os animais suscetíveis à febre aftosa, além de aves, foi recebido com preocupação no Paraná. O Ministério da Agricultura comunicou o embargo ontem à noite, surpreendendo indústrias, cooperativas e produtores paranaenses. Além da Rússia, Cuba também suspendeu a entrada de suínos vivos, produtos e subprodutos procedentes do Brasil.
A Rússia importa US$ 1 bilhão por ano em carnes do Brasil, e é considerado pelo Ministério da Agricultura o segundo maior importador de carnes brasileiras. No Paraná, é o país que mais importa carne suína. No período de janeiro a setembro, o Estado vendeu 70.173 toneladas de carne suína no mercado externo que gerou um faturamento de US$ 144,85 milhões. Só a Rússia comprou 55.521 toneladas de carne suína ou 73% do volume exportado. O faturamento foi de US$ 113,82 milhões, que correspondeu a 79% do ingresso de divisas oriundas da venda da carne suína do Estado.
Para o economista Gustavo Fanaya, do Sindicato da Indústria de Carne (Sindicarnes) essa decisão é dramática para todo o País, ''exatamente no momento que os estados começavam a flexibilizar o fechamento de suas fronteiras'', afirmou . Ele acredita que a Rússia não tomaria essa medida se o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva não tivesse anunciado sua disposição em negociar a manutenção das importações de carne naquele País.
Segundo Fanaya, até então a Rússia tinha adotado uma decisão técnica orientada por veterinários que entendem que o embargo da compra de carnes tinha que ser restrita ao estado do Mato Grosso do Sul. ''A partir do momento que um presidente da República anuncia que vai lá para negociar o País convoca os setores da área comercial para negociar e aí eles adotam a posicão de embargar todas as compras'', disse. O economista disse que o embargo à compra de todas as carnes brasileiras foi comercial para obter vantagens do Brasil na mesa de negociação com o presidente brasileiro.
A pressão para forçar uma derrubada nos preços da carne brasileira já vinha sendo temida no Paraná. O diretor da Frimesa, Elias Zydek, manifestou esse temor antes mesmo de saber do embargo da Rússia à carne suína. Segundo ele, normalmente a cooperativa negocia mensalmente os preços de venda da carne suína com a Rússia. Os embarques do mês de outubro já foram negociados no mês passado. As negociações para os embarques de novembro começam nesta segunda quinzena, disse. A Frimesa vende 1.100 toneladas de carne suína para a Rússia por mês.
Na avaliação de Fanaya, o embargo da Rússia vai provocar um estrago grande no faturamento com as exportações de carne. Mas ele não acredita que o País irá manter o embargo por muito tempo porque não há muita oferta de carne suína e de aves no mundo. ''Assim como nós precisamos deles, eles também precisam da gente'', avaliou.


