As notícias que a Rússia impôs restrições às importações de carne suína do Brasil podem pressionar ainda mais os preços internos, que na última semana recuaram 3,9% para R$ 1,28/quilo ontem, em São Paulo, informou a analista de carnes da FNP Consultoria & Comércio, Paula Santana Batista. ‘‘A notícia é negativa e deve refletir no mercado nos próximos dias. A demanda interna está ruim e, com a imposição, haverá mais carne no mercado’’, afirmou. O aumento da oferta é suficiente para derrubar os preços.
Recentemente, a Argentina também suspendeu as importações de carne suína do Brasil. As indústrias gaúchas já estimavam, antes da barreira russa, que haveria um excedente de 3.700 toneladas de carne suína com osso em um mês, após a limitação das exportações para a Argentina.
Na última quarta-feira, a secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura confirmou que recebeu uma correspondência do governo da Rússia ‘‘impondo restrições à compra de carne suína brasileira’’. A Rússia só compra carne do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, o que leva a crer que a imposição se trata de barreira sanitária, em função dos focos de febre aftosa registrados em municípios gaúchos. Os focos de aftosa foram descobertos no começo de agosto. Técnicos estão analisando o documento do governo russo para ver quais serão as medidas para reabrir o mercado.
Em agosto, os exportadores brasileiros venderam o primeiro lote de carcaças e meia carcaças para a Rússia, depois de um período em que as vendas ficaram suspensas. O primeiro lote foi de 2 mil toneladas de carcaças e meia carcaças. Dados da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) mostram que entre janeiro e agosto, o Brasil vendeu 72.497 toneladas para o mercado externo, sendo 6.316 toneladas para a Rússia e 23.001 toneladas para a Argentina.
Dados da Abipecs mostram que a Rússia importa 350 mil toneladas de carne suína por ano, sendo 80% comprado pelas indústrias e 20% por varejistas. O maior fornecedor de carne para a Rússia são os Estados Unidos, que incluíram a carne suína no programa de doações alimentares.