Curitiba - A Rússia ampliou ontem o embargo à compra de carnes do Brasil. Segundo agências internacionais de notícias, o País proibiu a importação de carnes bovina e suína do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, Pará e Amazonas. Destes, já estavam dentro do embargo o Mato Grosso do Sul, o Pará e o Amazonas.
Segundo as agências, o governo russo também embargou a compra de carne de frango e de produtos lácteos do Mato Grosso do Sul e do Paraná. Analistas asseguram que a ampliação do embargo decorreu da confirmação do foco de febre aftosa no Paraná, no início desta semana. O diagnóstico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é contestado pelo governo do Estado.
Gustavo Fanaya, economista do Sindicato da Indústria da Carne e Produtos Derivados do Estado do Paraná (Sindicarne), afirmou que a Rússia representa 33% das exportações de carne bovina do Estado, ou US$ 2,5 milhões por mês. ''Outros 46 países já haviam embargado a compra de carne bovina do Paraná, o que representava 41% das exportações. Ou seja, 74% das exportações paranaenses de carne bovina estão impedidas. E nos próximos dias Malásia, Bolívia, Cingapura, Egito, Líbano e Paraguai também devem anunciar embargo. Com isso, haverá embargo de 86% das exportações de carne bovina do Paraná'', disse Fanaya.
De acordo com o economista, 80% das exportações de carne suína do Estado, o equivalente a US$ 13 milhões por mês, são direcionadas para a Rússia. Segundo a Associação dos Abatedouros e Produtores Avícolas do Paraná (Avipar), a Rússia representa 5% das exportações paranaenses de carne de frango. O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Paraná (Sindileite), Wilson Thiesen, não foi localizado para comentar o impacto do embargo russo no setor.
A ampliação do embargo surpreendeu, já que recentemente foram confirmados focos de aftosa apenas no Mato Grosso do Sul e no Paraná. ''O embargo para os outros Estados é um padrão dos russos, que querem negociar para conseguir vantagens nas relações comerciais com o Brasil'', analisou Fanaya. ''O que os países alegam quando fazem embargos à compra de carne de frango é que no transporte, em algum recipiente, algum material, pode estar o vírus da aftosa'', comentou Alfredo Kaefer, presidente da Avipar.

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