Rússia aguarda laudo para derrubar embargo
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terça-feira, 23 de novembro de 2004
Agência Estado 
Brasília - Fracassou ontem a tentativa do governo brasileiro de retomar as exportações de carne para a Rússia, suspensas desde 21 setembro. ''Ainda não deu'', lamentou o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, após participar de um almoço que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu ao presidente russo, Vladimir Putin.
Por outro lado, o Brasil não disse nem sim nem não à pressão que Putin fez em favor dos caças Sukhoi, que concorrem na licitação internacional promovida pela Força Aérea Brasileira.
Segundo Roberto Rodrigues, os russos ainda não suspenderam o embargo à carne brasileira porque os técnicos que estão verificando as condições de produção no País ainda não acabaram seu trabalho. Eles deverão visitar o Rio de Janeiro e o Amazonas, onde surgiu o foco que provocou a suspensão das exportações. O ministro acredita que terá uma resposta na próxima semana. Os russos são os maiores importadores de carne do País e na semana passada, em um gesto de boa vontade, permitiram a compra de carne produzida em Santa Catarina.
Paralelamente, o Ministério do Desenvolvimento negocia a fixação de cotas para exportação de carne brasileira para a Rússia, como parte do acordo comercial no qual o Brasil dará seu apoio para que os russos ingressem na Organização Mundial do Comércio (OMC). ''As conversas estão avançando'', disse o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Márcio Fortes de Almeida. Ele disse que continuará negociando, hoje, com o encarregado do governo russo para esse tema, Maxim Medvedkov.
''Eu esperava mais velocidade na solução do embargo'', comentou o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne (Abiec), Marcus Vinicius Pratini de Moraes. Ele acredita, porém, que haverá um desfecho favorável para os dois temas. ''Creio que teremos uma cota, se não boa, pelo menos satisfatória.''
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que o governo, de fato, não esperava um desfecho para ontem. ''Isso não é uma rodada de negócios, é um encontro político em que também se fazem negócios'', disse. ''Mas sentimos uma disposição positiva por parte deles.'' Amorim confirmou que Putin levantou o tema dos caças Sukhoi. ''Mas não houve condicionamento de uma coisa a outra (carne a aviões)'', comentou.
O presidente russo teria oferecido os caças como parte de um eventual programa de cooperação entre os dois países na área de defesa. O ministro da Defesa e vice-presidente, José Alencar, não tem pressa em decidir a questão dos caças. ''Isso é um assunto que envolve um exame técnico apurado'', disse.
Sem desfecho para os dois temas principais da agenda bilateral dos presidentes, a visita de Putin se concentrou em acordos na área tecnológica e na visita a pontos turísticos do Rio de Janeiro. O presidente russo veio ao Brasil como uma escala de sua viagem a Santiago, no Chile, onde participou da reunião de cúpula dos países da Ásia e do Pacífico.
Ainda assim, Putin obteve ainda o apoio brasileiro a seu ingresso na Organização Mundial do Comércio (OMC), uma das principais pretensões russas. ''O ingresso da Rússia na OMC, que conta com o pleno endosso do Brasil, também nos ajudará a forjar um sistema internacional de comércio mais equitativo, menos assimétrico, que seja uma verdadeira alavanca para o desenvolvimento'', disse Lula.


