Ruraltech entrega prêmios hoje
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sexta-feira, 16 de abril de 1999
Cláudia Lopes 
O ex-colono Gilberto Renato Knapik trabalhava numa lavoura de melancia no interior de Santa Catarina até inventar um carrinho pulverizador, adaptado com roda de bicicleta. Hoje, ele é um dos 18 finalistas da Mostra Competitiva da Ruraltech-99, da 39ª Expo. A premiação acontece, às 10 horas, no Pavilhão Internacional do Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina.
Foram selecionados projetos de vários Estados brasileiros, que apontam soluções tecnológicas para agregar valor à empresa rural. Serão distribuídos R$ 30 mil em prêmios, em três categorias (software, alimentos, máquinas/processos). Ao todo, serão nove ganhadores que receberão R$ 5 mil, R$ 3 mil e R$ 2 mil - divididos entre os três primeiros lugares de cada categoria.
Knapik desenvolveu o invento junto com seu irmão, num dia de sol quente, quando os dois pulverizavam a plantação de melancia com um equipamento costal. Ficamos pensando numa forma de diminuir o esforço, já que este tipo de serviço judia muito de quem faz a aplicação, disse. Além de reduzir os riscos à saúde pelo contato direto com agrotóxicos, o pulverizador otimiza o tempo de aplicação. Enquanto com o costal pulverizava até 1,5 hectare num dia, com o equipamento passei a trabalhar 5 hectares, calcula Knapik, que mora em Porto União (SC).
Há 18 meses ele começou a produzir a máquina em escala industrial. Sua empresa já fabricou cerca de 500 unidades. Durante a 39ª Expo, Knapik calcula ter vendido 30 pulverizadores a R$ 400 cada.
Outro concorrente da Mostra é o técnico de eletrônica Joaquim Afonso Albertassi, de Londrina. Ele desenvolveu um software e uma placa controladora para automação rural. O objetivo do produto é automatizar praticamente tudo o que é elétrico ou eletrônico na propriedade, como sistemas de irrigação, ventilação, aquecimento ou refrigeração, além de hortas hidropônicas, aviários, e viveiros de mudas. O produtor consegue administrar, pelo computador, uma estufa instalada há um quilômetro de seu escritório, afirma ele, que na Exposição conseguiu engatilhar oito negócios e contactar três empresas interessadas em produzir sua invenção. O kit básico com 14 sensores custa R$ 2 mil.
O Iapar também participa do evento, através do pesquisador Paulo Guilherme Ribeiro. Ele está apresentando um secador solar para folhas de plantas medicinais e frutas em geral. O equipamento é de grande utilidade para aproveitar sobras de frutas. Trata-se de um aparelho de manuseio simples, sem custo de manutenção, sugerido para pequenas propriedades visando a auto-suficiência na economia doméstica e uma alimentação saudável.
O coordenador da Associação do Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec), Tadeu Felismino, disse que 30 trabalhos foram inscritos na Mostra. Uma banca formada por especialistas das três áreas selecionou os 18 finalistas. A intenção do evento é melhorar o desempenho das propriedades através de tecnologias que reduzam custos ou aumentem receitas, afirma.


