Ruralistas sofrem derrota na Câmara
Agência Folha
De Brasília
A bancada ruralista foi derrotada ontem na Câmara. Os deputados rejeitaram o recurso para votação em plenário do projeto que perdoa até 50% das dívidas agrícolas. O placar registrou 228 votos contra os ruralistas, 205 a favor e 9 abstenções. Para derrotar os ruralistas, ministros telefonaram aos deputados pedindo voto contra o projeto que foi aprovado pela Comissão de Agricultura, mas recebeu parecer contrário na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
Um dos mais atuantes foi o ministro Eliseu Padilha (Transportes), que telefonou para deputados do PMDB. A Agência Folha presenciou um assessor da presidência da Câmara chamando o deputado Alberto Fraga (PMDB-DF) para atender ao telefonema de Padilha. Enquanto Fraga acompanhava o assessor, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), um dos vice-líderes do governo na Câmara, gritava: Acompanha o Padilha. Fraga votou com os ruralistas.
A pressão do governo foi impressionante. Eles passaram o rolo compressor, disse o relator do projeto, deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO). Eles ameaçaram demitir pessoas indicadas pelos deputados, afirmou o deputado Abelardo Lupion (PFL-PR). O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), negou a ameaça. Quem fala pelo governo sou eu. Desafio a provarem que usei essa linguagem.
Na votação de ontem, os deputados decidiram não acatar o recurso dos ruralistas para que decisão da CCJ fosse apreciada pelo plenário. No final do mês passado, a comissão considerou que o projeto dos ruralistas contraria a Constituição porque cria despesas e órgãos, atribuições exclusivas do Executivo.
O líder do governo tentou evitar o confronto entre ruralistas e governistas no plenário. Isso significa a divisão da base. Ganhamos de parte da nossa base. Ficarão marcas, disse Madeira.
Logo depois da votação, líderes ruralistas anunciaram que poderão votar contra o governo. Se o governo refugar parte da sua base, haverá retaliações, disse o autor do projeto, deputado Augusto Nardes (PPB-RS). Nunca votei contra o governo. Na hora em que eu peço alguma coisa para o meu setor, para a minha base, o governo me abandona. O governo não deve esquecer que ainda temos três anos e meio pela frente e centenas de votações, afirmou Lupion.
Depois da derrota, a estratégia dos ruralistas é tentar incluir pontos do projeto na medida provisória de renegociação das dívidas agrícolas enviada ao Congresso pelo governo. Vamos avançar na MP, disse Nardes. Para Caiado, os ruralistas devem insistir na votação de projetos do mesmo teor do derrotado.





