Ruralistas rejeitam proposta de acordo
Agência Estado
De Brasília
O governo apresentou ontem uma última proposta aos ruralistas para a solução do problema do endividamento agrícola, mas embora as medidas tenham sido negociadas com a base de apoio no Congresso, mais uma vez não houve acordo, e os deputados insistem em tentar aprovar no plenário da Câmara o projeto aprovado semana passada na Comissão de Agricultura. No início da noite, o ministro Pratini de Moraes foi chamado à liderança do governo na Câmara para apresentar oficialmente a proposta aos deputados da Comissão de Agricultura, mas a maioria dos parlamentares saiu indignada do encontro. O governo nem leu o projeto, e assim não há negociação, afirmou o deputado Abelardo Lupion (PFL-PR), um dos líderes da bancada ruralista.
O deputado João Grandão (PT-MS) disse que seu partido iria trabalhar em plenário para garantir as emendas apresentadas na Comissão de Agricultura que garantem tratamento diferenciado aos pequenos produtores. Quase todos os deputados da Comissão de Agricultura que participaram do encontro criticaram as medidas apresentadas pelo ministro Pratini, em especial a que garante desconto de 30% nas dívidas de até R$ 10 mil, apenas para os produtores que estiverem adimplentes no crédito rural. Nossa visão é que temos de levar de volta os produtores que largaram o campo e a proposta do governo não recoloca nenhum agricultor no processo produtivo, disse o deputado Lupion.
O ministro Pratini de Moraes contestou a interpretação dos deputados e disse que ao prorrogar para 31 de dezembro o prazo para adesão ao Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa) para quem deve acima de R$ 200 mil o governo estava contemplando os inadimplentes. A proposta do governo (leia no quadro ao lado) é toda centrada na idéia de que os inadimplentes precisam voltar a produzir e de dar um bônus aos que estão adimplentes, afirmou. Fizemos o que foi possível fazer sem violentar os compromissos do ajuste fiscal. O ministro não soube precisar, no entanto, o impacto das medidas no Tesouro Nacional. O Ministério da Fazenda é que está encarregado de levantar estes custos.
Hoje os parlamentares da Comissão devem tentar aprovar a urgência para votação do projeto relatado pelo deputado Caiado, apoiados pelos participantes do caminhonaço. Os ruralistas e os partidos de oposição conseguiram mais de 300 assinaturas para conseguir incluir a votação do requerimento de urgência em pauta.
O presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, afirmou, em boletim informativo, que só poderá haver acordo entre o governo e as lideranças do setor rural depois que o projeto de renegociação das dívidas dos produtores for aprovado pelos deputados.
De Salvo, que participou da manifestação pública que, segundo a CNA, reuniu cerca de 10 mil produtores em frente ao Congresso, destacou a importância da união entre os parlamentares bem informados e o setor agrícola para aprovação do projeto de renegociação. Os agricultores acampados na Esplanada dos Ministérios deram um abraço no prédio do Congresso Nacional.Desconto seria de 30% para pequenos agricultores e de 25% para os grandes. Bancada tenta votar urgência para o perdão da dívida
DivulgaçãoGRITO DO CAMPOConfederação estimou em 10 mil o número de manifestantes ontem, em Brasília, no protesto dos produtores





