Agência Estado
De São Paulo
Depende principal mente do governo aca bar com a aliança tática entre os ruralistas e os partidos de oposição, que aprovaram juntos o projeto de renegociação da dívida agrícola, apresentado pela bancada ruralista. Basta que Fernando Henrique Cardoso atenda a uma pauta de revindicações apresentada em maio a nada menos do que cinco ministros, e ao próprio presidente, pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura (Contag).
‘‘Não podemos garantir que todos os partidos de oposição apóiem, mas caso os pequenos agricultores sejam atendidos, isso é muito provável’’, disse o presidente da Contag, Manoel de Serra. Um dos itens da pauta da Contag é a renegociação das dívidas dos micro e pequenos agricultores, que não chega a 10% do total de R$ 24 bilhões envolvido no projeto dos ruralistas.
‘‘Como no caso dos caminhoneiros, que fizeram greve depois de inúmeras tentativas fracassadas de dialogar com o governo, também os pequenos agricultores partiram para um caminho extremo, que foi apoiar o projeto dos ruralistas, e quem sabe assim forçar o governo a negociar’’, lembrou o sindicalista.
A Contag representa 3,6 mil sindicatos e 25 federações rurais no Brasil. Filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), a entidade trabalha em contato estreito com todos os partidos que integram a central: PT, PCdoB, PPS e PSTU. Por isso, faz parte do bloco que decidiu apoiar o projeto dos ruralistas.
Segundo Serra, o Brasil tem hoje 5,5 milhões de pequenas unidades de produção rural, no modelo de agricultura familiar. De todo o crédito liberado para o setor, cerca de 15% vai para a agricultura familiar. ‘‘Mas, a proporção da dívida dos micro e pequenos produtores no total do endividamento agrícola é bem menor porque o agricultor familiar é bom pagador, por depender muito mais dos empréstimos oficiais’’, afirmou. ‘‘Entre os pequenos agricultores, os devedores são aqueles que tiveram muitas dificuldades com quebra de safra e preços, e precisam agora de apoio para continuar produzindo’’, afirma o presidente da Contag.
A proposta da Contag para os minifundiários, que obtiveram empréstimos por meio do Programa de Apoio à Agricultura Familiar - o Pronaf, criado pelo governo - prevê abatimento de 40% do total da dívida, refinanciamento dos 60% restantes em 20 anos, a juros de 3% ao ano, e abatimento de 20% nas prestações pagas em dia pelo pequeno produtor e de 30% para o micro.
‘‘Estamos abertos ao diálogo com o governo sobre a pauta da Contag’’, afirmou Serra. Caso não haja solução por aí, ele vai continuar apoiando o projeto ruralista, por não ver outra saída para o pequeno agricultor. E com ele, muito possivelmente vai também a CUT, com a CUT o PT, e assim por diante.

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