Ruralistas exigem intervenção para safra
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
O presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho da Silva, esteve ontem em Londrina, e exigiu do governo uma agenda para o escoamento, armazenagem e negociação da safra 2008/2009. O representante nacional esteve reunido com Alexandre Kireeff, presidente da Sociedade Rural do Paraná. Dentre os assuntos tratados entre os dois líderes, a política agrícola para a próxima safra dominou a pauta da reunião.
As lideranças rurais concordaram que o mundo atravessa a maior crise econômica da história. Diante deste quadro, Cesário declarou que o governo necessita ter uma atenção redobrada na negociação da safra atual, oferecendo crédito, dando liquidez ao mercado e, principalmente, mantendo o preço de grãos em níveis aceitáveis. Para tanto, ele ponderou que o sistema de negociação da safra necessita ser irrigado com dinheiro na hora certa pelo governo. A safra, segundo ele, será negociada até abril deste ano. ''É necessário irrigar com dinheiro os operadores de crédito rural, cooperativas e os comerciantes'', apontou.
Segundo Cesário, a área governamental necessita ativar ferramentas de créditos como as Aquisições do Governo Federal (AGF) e o Empréstimo do Governo Federal (EGF). ''Se o governo fizer isso, o agricultor terá um conforto maior para plantar em setembro e outubro deste ano a próxima safra (2009/2010)'', prevê. Ele argumentou que há falta de crédito no mercado agrícola e o governo precisa intervir nesta questão para que a safra seja colhida com êxito.
A crise foi deflagrada em setembro do ano passado, quando os agricultores já haviam plantado a safra. ''Precisamos de apoio para colher agora'', declarou, ao explicar que os preços de grãos chegaram a cair pela metade na Bolsa de Chicago desde o início da crise. A saca de soja, por exemplo, que custava US$ 16 na bolsa americana, retraiu para US$ 8 recentemente para subir a US$ 9 nesta semana. Cesário acrescentou que o milho e trigo também sofreram a mesma desvalorização percentual.
Em vista desta situação, o dirigente rural ponderou que o governo brasileiro deve dar um preço mínimo necessário para saca de grãos. ''Se não der o preço adequado para a colheita 2009, não vamos plantar a próxima safra'', alertou. Ele informou que serão colhidas 144 milhões de toneladas de grãos este ano, sendo que no Paraná a previsão era de 21 milhões de toneladas, com a seca, entretanto, o setor estima uma redução de 25%. O dirigente nacional dos produtores rurais acrescentou que a equalização da quebra na safra já foi feita pelo mercado, através da valorização na BM&F Bovespa (mercado futuro).
Perguntado se o governo não vem apoiando a agricultura com crédito e incentivos, Cesário declarou que o setor vem sendo privilegiado pelas políticas governamentais de crédito e investimentos. ''Nós estamos chamando à atenção porque a situação é preocupante'', ressalvou, ao lembrar que o governo incetivou o plantio do trigo desta safra, porém não manteve os preços e a liquidez na hora de comercializar o grão.
Ele lembrou que os triticultores aumentaram em 40% a área plantada em todo país, colhendo 50% da necessidade do consumo brasileiro para este ano. ''Colhemos 5 milhões de toneladas de trigo, o setor não teve liquidez necessária por parte da área governamental e os triticultores já pensam em não plantar a próxima safra, mesmo diante de pedidos insistentes do governo'', exemplificou.


