Brasília - Representantes da bancada ruralista no Congresso Nacional prestaram ontem solidariedade o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que nesta semana se declarou ''frustrado'' com a dificuldade de obter do próprio governo os recursos necessários para o setor. ''Somos solidários ao ministro. Sabemos das dificuldades que ele enfrenta'', disse o deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS). Ele e outros parlamentares estiveram ontem no gabinete de Rodrigues.
''Por enquanto, ele ainda não pensa em deixar o ministério, mas está descontente'', disse Heinze. ''Não consigo resultados'', teria se queixado o ministro, segundo o parlamentar. Na reunião, os ruralistas apresentam uma proposta para renegociar as parcelas das dívidas do Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa) e da securitização que vencem em 31 de outubro. A bancada ruralista tem um número variável de componentes, mas dependendo da votação eles podem chegar perto de 200 parlamentares.
Poucas semanas após iniciar o plantio da safra de verão, os agricultores ainda enfrentam dois problemas: falta de recursos a juro controlado e preços de mercado abaixo do custo de produção. ''A falta de dinheiro e a questão dos preços são fatores negativos para a produção. A área plantada deve cair e o nível tecnológico das lavouras também'', disse o chefe do Departamento Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Getúlio Pernambuco.
Em relação ao crédito, ele afirmou que nos dois primeiros meses do atual ano-safra, julho e agosto, foram liberados R$ 4 bilhões para os produtores rurais. Em igual período de 2004, as liberações somaram R$ 6,582 bilhões, queda de 39%. ''O dinheiro da agricultura sumiu. Não sabemos em que mala ele está'', ironizou.
A CNA aponta queda de 45% na oferta de crédito rural a juro de 8,75% ao ano, que passou de R$ 4,8 bilhões em 2004 para R$ 2,6 bilhões neste ano. Para elevar a oferta, Rodrigues, negocia com a área econômica aporte adicional de R$ 2 bilhões.
Outro problema dos agricultores é a dificuldade para comercialização da safra, disse Pernambuco. Os preços dos principais produtos produzidos no País - milho, arroz, algodão, soja e trigo - estão abaixo dos custos de produção. No caso do arroz, por exemplo, o custo de produção é de R$ 30 por saca de 50 quilos, muito acima dos R$ 19 por saca pagos pelos compradores, mostra a CNA. A soja, que valia R$ 790 por tonelada ao produtor no ano passado, foi negociada a R$ 560 há algumas semanas.

mockup