Ruralista já admite derrota de projeto
Agência Folha
De Brasília
O presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Dilceu Sperafico (PPB-PR), admitiu ontem a derrota do projeto que perdoa até 60% dos débitos dos agricultores, amplia o prazo de pagamento para 20 anos e reduz os juros para 3% ao ano. Vai morrer por inconstitucionalidade ou pelo veto presidencial, disse. O pedido de urgência para a votação do projeto em plenário foi aprovado com apoio de 410 deputados, mas os governistas afirmam que o texto contraria a Constituição porque cria despesas e órgãos, iniciativas exclusivas do Executivo.
Sperafico disse que a bancada ruralista deverá abandonar o confronto e partir para a negociação com o governo. Não temos paixão pelo projeto. A solução pode ser a proposta do governo. O projeto pode ser deixado de lado, afirmou.
Na última terça-feira, quando o governo anunciou as medidas de renegociação das dívidas agrícolas, Sperafico disse que elas não atendiam às reivindicações dos ruralistas. A proposta do governo beneficia principalmente os pequenos agricultores, com desconto de 30% no valor das dívidas até R$ 10 mil.
Ontem, o discurso do deputado era diferente. Para ele, a solução do endividamento dos agricultores não é o projeto da Comissão de Agricultura, mas a negociação com o governo para ampliar a proposta anunciada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
O governo quer dar (uma solução), mas ainda não apresentou o suficiente, disse. (O governo) Já ofereceu alguma coisa. Para mim, o movimento já valeu, afirmou o deputado Luis Carlos Heinze (PPB-RS). Sinto-me vitorioso. Em São Paulo, 95% dos agricultores foram beneficiados pelas medidas do governo, disse o deputado Xico Graziano (PSDB-SP). Segundo Graziano, a idéia dos ruralistas era usar o projeto como base para a negociação com o governo, e não como solução para o endividamento agrícola.
A opinião não tem consenso na Comissão de Agricultura. O deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), relator do projeto, entende que a bancada ruralista deve ir ao plenário para tentar aprovar a proposta. Ninguém pode falar pela comissão sem consultá-la. O projeto está vivo e em condições de ser levado para o plenário, disse Caiado.
Sperafico disse que terça-feira vai reunir a Comissão de Agricultura para decidir como os ruralistas vão agir. Respeito a opinião de cada um, mas chega um determinado momento em que a maioria tem de decidir, afirmou.





