Da Redação
O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli, achou interessante a participação do Paraná num evento estratégico como o encontro de qualidade de Belo Horizonte. Ela acha que o Paraná faz sua parte, mas que isto não basta. ‘‘O Paraná tem um modelo de produção que deu certo e mostra que sabe fazer qualidade. Falta o compromisso da justa retribuição dos benefícios desse avanço’’, resume Galli, que foi presidente da Apac e um dos fundadores do Conselho Nacional do Café (CNC).
No Encontro de Belo Horizonte, em que cada um esmerou-se em apresentar seus cafés da melhor maneira possível -, o Paraná participou em condições de igualdade e marcou presença oferecendo mais um dos bons cafés do Brasil. A etapa a seguir agora - segundo Galli - é a da rentabilidade. ‘‘O diferencial de preços - isto é a justa premiação à competência e o retorno do capital investido - não pode depender apenas da boa condução da lavoura, isto é das atividades ditas da porteira para dentro. Nem do reconhecimento isolado de poucas indústrias igualmente voltadas para a qualidade, formadoras de nichos de mercado’’. Ele acha que isto retarda o processo evolutivo desencadeado pelas instituições empenhadas no projeto Café Qualidade Paraná. Daqui para frente, as variáveis comercialização e política de governo precisam ser trabalhadas e incorporadas ao projeto, dando o tom à verdadeira concepção de cadeia produtiva em que todos os segmentos (elos) são interdependentes.
Em artigo distribuído aos principais jornais neste final de semana (ver página 3, ‘‘Opinião’’), Galli afirma que sem o compromisso explícito dos setores industrial (enquanto agente de qualidade e mercado) e governamental (enquanto gestor da política de cafeeira), todo esforço dispendido pela ponta da produção fica comprometido e não converte os resultados esperados. ‘‘Ainda que os avanços conquistados até aqui, e que impressionaram positivamente a exigente massa crítica reunida em Belo Horizonte, sejam um bom incentivo moral. Ainda que todos nós da produção nos empolguemos com os resultados altamente positivos mas que dizem respeito apenas a um segmento, o do campo’’, afirma.
O presidente da Sociedade Rural faz dois questionamentos:
- Sobre o papel do governo: Adianta investir em capacitação e tecnologia para obter qualidade, se os critérios de ofertar cafés dos estoques do governo - os leilões - destoam completamente das expectativas e curso normal do mercado?
- Sobre o papel da indústria: Será que o café diferenciado, de qualidade precisa, primeiro, buscar o reconhecimento do mercado externo? Até quando os bons cafés do Paraná viram café de Minas ou da Mogiana, após entrar no mercado?
Para clarear a evolução e resgate da história recente do café no Paraná, Galli, faz um resumo da realidade, do caminho a ser percorrido e os objetivos. E conclui que ‘‘já que queremos mostrar isto ao País e ao mundo e colher - e ditribuir - os benefícios, então que cada um cumpra o seu papel de agente da cadeia produtiva’’.

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