Rural fala em forças obscuras
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sábado, 12 de novembro de 2005
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
O presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Edson Neme, acredita que ''forças obscuras'' estejam atuando no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), para impedir a divulgação oficial dos resultados que confirmariam ou não a febre aftosa no Estado. A afirmação foi feita ontem, na sede da Sociedade Rural, em Londrina, durante entrevista coletiva. Também participaram os pecuaristas cujas fazendas foram interditadas com suspeitas de foco da doença.
Em ''nota de esclarecimento'' distribuída à imprensa, a Sociedade Rural contestou a informação do Mapa que dizia que os resultados dos exames laboratoriais feitos com animais do Paraná não são conclusivos, ''sendo também necessário que se considere as manifestações clínicas e a vinculação epidemiológica, ou seja, a origem dos animais''. Neme classificou essa afirmação de estranha e disse que não é condizente com a realidade dos fatos.
Segundo a Rural, a conclusão de que não há o vírus da aftosa nas propriedades investigadas é baseada em três premissas: ausência de sinais clínicos de aftosa na propriedade de origem dos animais; ausência de sinais clínicos de aftosa nas propriedades de destino dos animais; e a negatividade dos exames laboratoriais emitidos pelo laboratório de referência indicado pelo Mapa. ''Temos laudos emitidos hoje (ontem) que atestam que todos os animais não apresentam qualquer sintomatologia de febre aftosa'', afirmou Neme.
Os laudos foram emitidos por veterinários contratados pelos pecuaristas e também há os termos de fiscalização, emitidos pela Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) que atestam a sanidade do rebanho. Conforme a Folha publicou na edição de ontem, Neme pediu a vacinação imediata dos animais que estão nas propriedades que foram consideradas suspeitas - em Amaporã, Grandes Rios, Loanda e Maringá - e nas propriedades localizadas em um raio de 10 quilômetros desses municípios.
Segundo ele, esse rebanho corre o risco de ser contaminado, uma vez que já estão confirmados 22 focos de aftosa no Mato Grosso do Sul. ''Estamos responsabilizando o Mapa pela não imunização do rebanho, principalmente dos animais jovens das propriedades que estão impedidas de realizar a vacinação. Propomos a vacinação o mais rápido possível desses animais, bem como um reforço daqui a 90 dias, dos animais abaixo de 12 meses'', salientou.
Durante a coletiva, ainda foram mostradas imagens dos animais que foram colocados sob suspeita. Segundo o veterinário Clayton Lopes de Paula, todos estavam sadios e sem qualquer sintoma da doença. Somente um deles, da Fazenda Santa Maria, em Amaporã, apresentava uma lesão no lábio e estava mancando. Segundo ele, a lesão teria sido provocada pela troca de dentes e havia um corte no casco, devido ao estresse. ''Hoje esse animal está andando normalmente e está muito sadio'', disse.


