Em meio a boatos e informações desencontradas, a Argentina viveu novamente ontem um dia tenso, na expectativa de possíveis anúncios importantes no fim de semana. Os boatos que praticamente detonaram a nova onda forte de pessimismo, no começo da semana, consideravam a renúncia do presidente, Fernando de la Rúa, ou do ministro da Economia, Domingo Cavallo. As duas versões foram negadas com declarações oficiais e rápidas demonstrações de apoio aos dois por parte de empresários, políticos e banqueiros.
Outra versão que ganhou força a partir do meio da semana foi a possível mudança no gabinete de ministros. Uma das possibilidades aventada era a transferência de Cavallo para a chefia de gabinete, como uma espécie de primeiro-ministro, e a nomeação de Adolfo Sturzenegger, economista ligado a ele, para a Economia.
Para os analistas, Cavallo teria condições de apresentar um programa de cortes de gastos públicos mais factível na visão do mercado. Apesar da expectativa, não houve ontem nenhuma confirmação oficial das mudanças por parte do governo. Cavallo, que estava em viagem oficial à Itália, deve voltar no domingo a Buenos Aires. Ao longo de todo o dia, especulou-se sobre um possível retorno antecipado, mas o Ministério da Economia confirmou no final da tarde sua agenda para hoje na Itália.
Os possíveis anúncios ao longo do fim de semana prolongado (segunda-feira é feriado na Argentina, pelo dia da Independência), aliados ao silêncio oficial, deixaram os mercados com comportamento instável.
O índice de risco-país, principal termômetro da desconfiança dos investidores sobre a capacidade de o país cumprir seus compromissos, chegou ao final do dia ontem a 1.141 pontos, 24 pontos abaixo do fechamento do dia anterior. O risco-país mede a sobretaxa Paga pelo país ao tomar empréstimos em relação ao que pagam os EUA. Cada 100 pontos significam um ponto percentual acima dos juros pagos pelos títulos dos EUA. (AE)

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