As companhias de distribuição de energia elétrica Norte-Nordeste e Centro-Oeste, privatizadas ontem pelo governo do Rio Grande do Sul, foram arrematadas com ágio de 82,62% e 93,55%, respectivamente. O governo gaúcho conseguiu levantar R$ 3,145 bilhões com as vendas. Os vencedores dos leilões, que duraram conjuntamente 45 minutos, efetuarão o pagamento, em moeda corrente, conforme prevê o edital, na próxima segunda-feira.
A Companhia Norte-Nordeste de Distribuição de Energia Elétrica, que tinha preço mínimo de R$ 895,2 milhões, foi comprada por R$ 1,635 bilhão pelo consórcio formado pela VBC Energia (Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa), Previ (fundo dos funcionários do Banco do Brasil) e a empresa norte-americana Community Energy Alternatives.
A Companhia Centro-Oeste, cujo preço mínimo era de R$ 780,1 milhões, foi adquirida por R$ 1,510 bilhão pela operadora norte-americana The AES Corporation, representado no leilão pela corretora Brascan. Os leilões foram o maior negócio já realizado pela Bolsa do Extremo Sul, em 66 anos de existência.
A venda de 519,6 milhões de ações ordinárias da Norte-Nordeste (90,75% do capital votante) e de 487,5 milhões de ações ordinárias da Centro-Oeste (90,91% do capital votante) significa a privatização parcial da CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica), a maior estatal gaúcha.
O governador Antônio Britto (PMDB) disse que as empresas que concorreram manifestaram a certeza de que o Estado ‘‘entrou em um processo firme de desenvolvimento e é um grande lugar para se investir’’. Ele declarou que a utilização de ‘‘cada centavo’’ do dinheiro obtido tem de ser feita ‘‘lembrando que esse recurso demorou dezenas de anos para ser construído’’.
O secretário de Minas, Energia e Comunicações, Assis Roberto de Souza, disse que o dinheiro da Centro-Oeste será usado para abater dívidas da CEEE e equilibrar as empresas remanescentes da estatal, nas áreas de geração hídrica e transmissão, além da empresa de distribuição Sul-Sudeste, que permanece sob o controle do Estado.
Os recursos obtidos com a Norte-Nordeste serão destinados, segundo o governo, para obras de infra-estrutura, saúde, educação e atração de novos investimentos estratégicos. A Norte-Nordeste atende a uma área com 261 municípios e 839 mil consumidores e a Centro-Oeste abrange 122 cidades e 804 mil consumidores.

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