RS monitora importação do Mercosul
Ednelson Alves
Especial para a Folha
De Brasília
O prejuízo para os produtores brasileiros com a importação de arroz da Argentina e do Uruguai foi um dos temas debatidos ontem na Comissão de Agricultura da Câmara Federal. Conforme o agrônomo e deputado do Rio Grande do Sul, Luiz Carlos Heinze (PPB), de fevereiro de 99 a fevereiro deste ano foram importadas 1,2 milhão de tonelada, uma média de 100 mil toneladas/mês.
Para diminuir a entrada do arroz do Mercosul, uma comissão formada por produtores gaúchos, cooperativas e indústrias passou a negociar diretamente com parceiros argentinos e uruguaios ligados a produção e comercialização do produto, a diminuição da quantidade exportada para o Brasil. Caso não houvesse acordo, os gaúchos ameaçavam fechar a fronteira para impedir a entrada do arroz.
Conforme Heinze, após três reuniões realizadas em Porto Alegre, Montevideo e Buenos Aires, argentinos e uruguaios concordaram em diminuir a exportação para cerca de 30 mil toneladas/mês, e também aceitaram que fosse feito monitoramento para controlar a quantidade importada. O deputado gaúcho fez questão de ressaltar que toda negociação foi conduzida pela iniciativa privada dos três países e acrescentou que os vizinhos do Mercosul estão cumprindo, desde março, com todos as cláusulas do acordo. Essa não é solução do problema, mas certamente foi dado um passo importante para proteger os nossos rizicultores, observou.
O próximo passo, segundo Heinze, será a negociação dos preços. Conseguimos obter notas que provam que o preço da saca de 50 quilos tem sido adquirida no Uruguai e na Argentina por apenas US$ 6 quando o custo de produção deles está em torno de US$ 8 a US$ 9. Estamos comercializando abaixo do preço de custo, o que é uma absurdo, denunciou. O parlamentar gaúcho disse que a comissão formada por representantes dos três países tem se reunido a cada mês, e que a questão do preço será prioridade no próximo encontro.
Para ele, a saca que hoje está sendo comercializada por cerca de R$ 11,50 deveria estar, no mínimo, em torno de R$ 15 reais. Mas uma solução para o problema de sustentação dos preços do arroz no mercado não está sendo discutida apenas no âmbito regional. Integrantes da Câmara Setorial do Arroz e deputados gaúchos estiveram ontem em Brasília para pressionar o governo federal.
Os gaúchos querem que o governo federal compre, entre abril e maio, 500 mil toneladas do produto para desafogar o mercado. As discussões agora estão centralizadas em uma estratégia de venda interna. O presidente da Federação das Associações dos Arrozeiros (Federarroz), Antonio Elói Paz, diz que serão promovidas reuniões com produtores para discutir o assunto.





