Curitiba- No que depender da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), o Estado não voltará, tão cedo, a comprar carne bovina e suína do Paraná. Uma nova rodada de negociações entre as secretarias de Agricultura dos dois estados está, previamente, agendada para o dia 5 de fevereiro, para discutir a suspensão da portaria nº 200, do governo gaúcho, que proíbe a entrada de animais vivos e carnes no Estado. O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, adiantou, no entanto, que a resistência ao ingresso do produto paranaense em território gaúcho por parte dos criadores será mantida.
Para o presidente do Sindicato da Indústria da Carne (Sindicarne) do Paraná, Péricles Salazar, a posição da Farsul é baseada em interesse econômico, já que, tecnicamente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) reconheceu a condição do Paraná como área livre de aftosa, em outubro do ano passado. ''Eles querem fazer reserva de mercado'', acusou Salazar. Segundo ele, seria uma forma de recuperar os prejuízos que os produtores gaúchos tiveram em 2000 e 2001 por conta de focos de aftosa.
Sperotto disse que a preocupação dos criadores do Rio Grande do Sul é com a preservação do status sanitário de área livre de aftosa e com a manutenção dos mercados que conquistaram. Afirmou que Uruguai e Chile, por exemplo, exigem que a carne que compram seja de animais nascidos e criados no Rio Grande do Sul. Ele se amparou, ainda, na legislação federal para rebater a acusação do Sindicarne. ''A instrução normativa 82, do Ministério da Agricultura, prevê que os estados tenham legislação própria'', complementou Sperotto.
Segundo dados do Sindicarne, o Paraná vendia para o Rio Grande do Sul cerca R$ 16 milhões por mês de carnes bovina e suína. Santa Catarina, que suspendeu, ontem, o embargo ao Paraná, é o segundo maior comprador (ficando atrás de São Paulo) com R$ 25 milhões/mês.
O secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Newton Pohl Ribas, entende que a legislação dos estados não pode se sobrepor à legislação federal. Mas, apesar da falta de consenso e da reunião em Porto Alegre, anteontem, não ter apresentado o mesmo resultado positivo de Santa Catarina, Ribas se diz otimista em relação a um acordo em breve.

mockup