RS e SC mantêm embargos às carnes bovinas e suínas do PR
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão mantendo os embargos às carnes bovina e suína do Paraná mesmo depois que o Ministério da Agricultura (Mapa) suspendeu todas as restrições ao Paraná, através da Instrução Normativa 61 de 6 de novembro de 2006. Isso significa que, a partir desta data, catarinenses e gaúchos, não teriam mais motivos para proibir a carne paranaense. O Sindicato da Indústria de Carnes do Estado do Paraná (Sindicarne-PR) estima que, com os embargos, o Paraná perde cerca de R$ 16,5 milhões por mês por estar proibido de vender carne bovina e suína para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
O presidente do Sindicarne-PR, Péricles Salazar, disse que a Secretaria Estadual de Agricultura do Paraná (Seab) tem batalhado para resolver este impasse e realizou várias reuniões com Santa Catarina e Rio Grande do Sul para chegar a um acordo. Segundo ele, estes dois Estados vêm prometendo desde outubro do ano passado que vão estudar o assunto.
O secretário estadual de Agricultura, Newton Ribas, disse que está tentando buscar uma solução administrativa negociável para o impasse. ''Se não houver acordo vamos colocar o mesmo conceito de reciprocidade, ou seja, colocar as mesmas restrições'', disse.
Para que o Paraná possa exportar, depois de toda a crise da febre aftosa, é necessário que a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) devolva ao Estado o status de área livre da doença com vacinação. A expectativa é que aconteça uma reunião em fevereiro para colocar um ponto final nesta questão. Há informações de que o Mapa ainda não teria mandado o relatório do Paraná para a OIE. Hoje, 56 países ainda mantêm o embargo à carne brasileira.
Salazar lembrou ainda que Santa Catarina é um estado que não vacina o gado há dez anos e tem o conceito de área livre sem vacinação mas ainda não está formalmente reconhecido. Segundo o presidente do Sindicarne, Santa Catarina alega que enquanto o Paraná não for reconhecido pela OIE, não poderá vender carne. ''O Rio Grande do Sul ainda é mais injustificável. As barreiras não têm nenhuma justificativa técnica'', disse.
O impasse teve a intervenção do Ministério da Agricultura. O secretário nacional de defesa agropecuária do Mapa, Gabriel Alves Maciel, vai participar de duas reuniões, uma em Florianópolis (SC) e outra em Porto Alegre (RS) na terça e quarta-feira da próxima semana, respectivamente, nas Secretarias de Agricultura destes Estados. Vão participar das reuniões o Sindicarne e a Seab.
Do total da carne bovina produzida pelo Paraná, 55% ficam para consumo interno, 18% vão para São Paulo, 5% para Santa Catarina, 1% para o Rio Grande do Sul, 6% para os demais Estados e 15% para exportação. Já a carne suína, 30% da produção ficam no Paraná, 18% vão para São Paulo, 14% para Santa Catarina, 2% para o Rio Grande do Sul, 12% para outros Estados e 24% para exportação. Os dados mostram a situação até outubro de 2005, quando surgiu a crise da aftosa.
O Paraná tem um rebanho de gado de corte de 7,5 milhões de cabeças, o Rio Grande do Sul 10,5 milhões e Santa Catarina 1,9 milhão.


